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"Acho um porre, ouvir 20 crianças desafinadas" diz mãe sobre comemoração

A mulher revelou ainda que não aguenta mais os presentes sexistas das instituições de ensino: "para o pai kit escritório e para mãe sacola de supermercado"

8 MAI 2019
Da redação/Revista Crescer
17h16min
Foto: Reprodução/Revista Crescer

Já faz um tempo que o Dia das Mães, comemorados nas escolas, causa discussão e polêmica. De um lado estão as mulheres que adoram a celebração porque se sentem amadas e prestigiadas pelos filhos e se lembram da comemoração da própria infância, quando faziam o mesmo para suas mães. Do outro, há a tristeza para muitas crianças que não tem mães ou são criadas por tios e avós. Sem contar a nova configuração das famílias brasileiras com dois pais, por exemplo. É por isso que muitas escolas adotam o Dia da Família, para que seja uma festividade que celebre quem é importante para a criança.

De acordo com Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, mais da metade das escolas celebra a nova data, mais democrática, em que todos os cuidadores (avós, padrastos, tios etc) se sentem acolhidos. Na escola da Catarina, 8 anos, o Dia das Mães faz parte do calendário escolar, o que para sua mãe, a empresária Ayla Meireles, 36, é muito arcaico. "As escolas precisam revisar esse modelo jurássico!". Neste sábado (4), Ayla fez um desabafo em sua rede social sobre esse tipo de celebração e gerou muita polêmica. No texto ela diz:

"Bom dia, meu nome é Ayla M.A. Bastida, sou mãe da Catarina M.A. Bastida, de 8 anos, e eu não fui à comemoração de Dia das Mães da escola porque eu sempre achei um porre e agora que a minha filha é madura o suficiente (muito mais que eu) e como ela está cada dia mais parecida comigo, ela tem total condições de concordar comigo que NINGUÉM merece acordar cedo no sábado para ouvir 20 crianças desafinadas cantando a contra gosto e no fim de tudo ganhar um LÁPIS, que pode ser plantado depois. Ela cantou lindamente a música só pra mim e vamos fazer algo divertido em família, nosso programa favorito!  Maternidade, pra mim, tem a ver com sinceridade EXTREMA e sacrifícios apenas quando EXTREMAMENTE necessário. Liberte-se das culpas que alguém disse que vc tem que carregar só pq vc é mãe e seja feliz, assim como eu!", disse.

Não demorou muito para que a empresária recebesse dezenas de comentários. Uma das suas amigas escreveu: "Que este post seja alcançado por Mil Milhões de mães que acham que precisam provar perfeição maternal perante a sociedade, e que com isso deixam de viver momentos únicos, íntimos e felizes com seus filhotes". Em outro comentário, uma mãe ainda lembrou: "Acho que eu deveria ter lido este texto há 25 anos. Teríamos nos poupado". Outra ainda disse que acha bem ruim a comemoração porque muitas mães não vão e as crianças ficam tristes. Mas teve também que dissesse que não "vê a hora para participar destas comemorações."

Ayla disse que depois da polêmica do post, uma mãe da escola perguntou a ela se não tinha medo de magoar os sentimentos da filha. E ela respondeu: "Conversei com ela, expliquei meus motivos, não queria uma homenagem no atacado, mecânica e sem verdade, queria ela, minha filha, falando e cantando pra mim, quando e se ela quisesse, falando o que ela pensa e sente a respeito de mim e da nossa relação. Ela entendeu e concordou, na verdade disse que eu nem deveria ter ido outros anos porque eu nunca a obriguei a ir em lugares que ela não queria ir, então nem deveria ter me obrigado. Não tem como eu explicar para ela que o que ela sente é importante e que ela deve ser segura o suficiente para não fazer as coisas que ela não quer só porque todo mundo acha que ela tem, se eu não der o exemplo. Ela sabe que de mim ela sempre vai ter verdade!", respondeu. A empresária também lembrou dos presentes recebidos neste dia. "Acho muito sexistas. Pai ganha kit escritório e mãe ganha sacola de supermercado. Para os pais só coisa legal, para as mães coisas de casa? O ano passado eu reclamei e avisei a diretora da escola que em casa quem faz supermercado é meu marido", finalizou. 

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