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Advogada e terapeuta, Flávia precisou lidar com 'próprios demônios' para ajudar vítimas de violência

Para Flávia, ajudar mulheres nestas condições, seja com políticas públicas ou por meio do curso, fez com que sua vida ganhasse um novo sentido

28 agosto 2021 - 11h30Por Nathalia Pelzl

Mãe de quatro filhos, Flávia Pizolatto Livramento, 42 anos, atua como advogada há 20 anos e terapeuta há 10 anos, em Campo Grande e ajuda mulheres vítimas de violência a se libertarem de traumas passados. 

Agora, no mês de alusão e combate à violência doméstica, ela divulga curso onde ensina mulheres a se libertarem, além de ajudar no desenvolvimento da ferramenta ‘Mulher Segura’, aplicativo de proteção direcionado as vítimas que precisam de mais segurança. 

O APP, segundo Flávia, avisa a mulher sobre a proximidade do agressor. 

Porém, antes de lidar com os traumas de outras mulheres, Flávia revela que precisou passar por um processo de cura interior. 

Aos 15 anos, precisou lidar com a separação dos pais e acabou grávida aos 16 anos. No entanto, acabou optando por não ter a criança. 

“Ali talvez tenha feito a pior escolha da minha vida. Escolhi a morte no lugar da vida, e assim matei minha alegria, meu orgulho, meu amor. Vieram anos de escuridão. Com momentos de extrema luz. Aos 19 anos tive meu primeiro presente do amor: Bruna, hoje com 22 anos”, revela. 

Porém, mesmo com a chegada da filha, Flávia teve depressão, culpa, e falta de perdão pela escolha do aborto na adolescência. 

“Tudo isso me levou a arrastar essa corrente por 14 anos, sobrevivendo entre tentativa de suicídio e relacionamento abusivo. Os dias eram sempre cinzas. Sair da cama era odioso, viver doía”, revela. 

Com um misto de sentimento, ela encontrou felicidade na chegada do segundo filho, Pedro. 

“Ele veio para me mostrar o quanto eu estava errada na forma de viver. Veio me mostrar como é ser amoroso. Veio me dar forças para mudar”, revela. 

Em meio a tudo isso,  Flávia seguiu firme e construiu a carreira profissional. 

“Apesar de ter nascido para ser psicóloga, em razão da minha história, acabei escolhendo tornar-me advogada, que culminou com a especialização em família, desde que iniciei, atendi dezenas de mulheres em processos de divórcios e em 70% dos casos durante o processo, ocorria casos de violência. Percebi que elas precisavam de mais que uma advogada, porque muitas entravam em outro relacionamento abusivo em seguida”, pontua. 

Diante das experiências profissionais e também da sua vivência pessoal, Flávia sentiu necessidade de algo mais. 

“Aos 30 anos iniciei um processo de mudança intenso e doloroso. Conversão espiritual, análise e em um retiro terapêutico o chamado para a terapia gritou forte dentro de mim”, destaca. 

E foi nessa época de mudança profissional, que sua vida pessoal também ficou completa, com a chegada das gêmeas, Mari e Manu. 

Para Flávia, ajudar mulheres nestas condições, seja com políticas públicas ou por meio do curso, fez com que sua vida ganhasse um novo sentido. 

Na visão da terapeuta e advogada, os índices de violência doméstica só serão reduzidos quando houver uma mudança profunda de consciência de comportamento das pessoas da sociedade e também das vítimas e do agressor. 

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