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Alunos se tornam ‘advogados’ de Maria da Penha para aprender sobre violência doméstica

Estudantes de escola estadual improvisaram um tribunal em plena sala de aula para imergir no emblemático caso

07 setembro 2016 - 17h00Por Amanda Amaral

Uma estratégia de ensino diferente foi aplicada aos alunos da Escola Estadual João Carlos Flores, no bairro Rita Vieira, em Campo Grande, para que eles pudessem entender de verdade o que há por trás e as consequências de episódios de violência doméstica. No ano em que a Lei Maria da Penha completa 10 anos em vigor, os estudantes do 3º ano do ensino médio tiveram o desafio de se colocar no lugar da defesa da mulher que dá nome à lei, e também no lugar da defesa de seu esposo, que a agrediu. 

Eles estudaram a história de Maria da Penha Maia Fernandes, que foi vítima de violência doméstica durante 23 anos de casamento. Em 1983, o marido por duas vezes, tentou assassiná-la. Na primeira vez, com arma de fogo, deixando-a paraplégica, e na segunda, por eletrocussão e afogamento. Após essa tentativa de homicídio ela tomou coragem e o denunciou. O marido de Maria da Penha só foi punido depois de 19 anos de julgamento e ficou apenas dois anos em regime fechado, para revolta de Maria com o poder público.

A repercussão do caso e a busca incansável da vítima por dispositivos legais que punissem os agressores com mais rigor fez surgir a Lei Maria da Penha, denominação popular da lei número 11.340, de 7 de agosto de 2006. É normalmente aplicada aos homens que agridem fisicamente ou psicologicamente a uma mulher ou à esposa

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Foto: Lucas Matheus Lopes Targino

Depois de assistirem uma palestra sobre o tema, o professor Rafael Cavalcanti propôs a experiência desafiadora. Apesar de lecionar matemática, Rafael achou que essa seria uma oportunidade interessante de mostrar outra perspectiva sobre o crime, através de uma audiência fictícia, mas que foi levada bastante a sério pelos participantes. A dupla que mais impressionasse o professor teria uma recompensa no boletim.

O estudante Lucas Matheus Lopes Targino, 16 anos, conta que nunca havia se sentido tão movido dentro da escola e que presenciou defesas ‘dignas de Oscar’. “Todos os ‘advogados’ com suas provas e defesas e o restante da sala como júri, e o resultado foi um debate de 45 minutos que deixou o professor de boca aberta, os alunos pesquisaram , procuraram saber mais”, relata.

Segundo Lucas, a percepção dos alunos depois do debate foi algo que mudou, porque a experiência mostrou o quanto é preciso saber dos dois lados da história e o quanto o papel dos cidadãos para fazer justiça é muito importante. “Depois do debate conseguimos entender que é importante sim estar à frente de saber das ocorrências de violência, com quem e como aconteceu. Hoje estamos em um nível muito maior de entendimento do que anteriormente, tornar algo simples em muito mais do que apenas um debate”, avalia.

Depois de refletirem sobre questões como igualdade de gênero, justiça e educação, a sala inteira saiu da experiência com mais conhecimento e com vontade de participar de mais atividades do tipo. “Uma escola que tem alunos democráticos ganha muito mais do que um prêmio e sim , uma nova sociedade baseada em justiça e igualdade para todos”, finaliza o estudante. 

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