Na falta de encontrar um local com tratamento digno de um melhor amigo, foi que a arquiteta Gycelda Maria Rosa Ajala, 52 anos, resolveu transformar a casa em um hotel para cachorros. Espaço e carinho pelos animais tinham de sobra, então, há dois anos, o número 349, da rua Amazonas, no bairro Monte Castelo, se tornou lar parcial de cães e alívio para os donos que precisavam viajar.
A ideia surgiu de uma experiência pessoal. Gycelda procurou um lugar para deixar o cão enquanto viajava e constatou que os estabelecimentos que ofereciam o serviço mantinham os animais presos. Além disto, durante os fins de semana, os bichos eram deixados sozinhos devido ao funcionamento apenas durante horário comercial."Faço um trabalho que na época precisava e não encontrei", explica.
O ambiente familiar acabou atraindo diversos clientes. Mesmo em baixa temporada, a casa está sempre cheia. O local preferido, claro, é o quintal. Porém, a arquiteta também reservou um cômodo da casa para os momentos de descanso. Cazinhas, caminhas e brinquedos fazem a diversão até mesmo na hora de dormir.

Gyselda e a filha são as responsáveis pela administração do local. Sandy é uma das hospedes mensalistas. (Foto: Deivid Correia)
Para o ambiente ficar ainda mais familiar, a recepção dos animais fica a cargo de Grandão. O cachorro pertence a Gycelda e, durante a noite, faz as vezes de segurança da residência e dos hóspedes que nela estão. O animal foi resgatado pela arquiteta com apenas 18 quilos. Os 30 quilos adquiridos com o tempo só dão tamanho a doçura do anfitrião.
Grandão é o único animal de grande porte permitido no local. Para dar um melhor atendimento, a arquiteta opta por hospedar apenas os pequenos. A lotação máxima já registrada foi de 20 cachorros, entre eles uma família de Pinscher.

Grandão é do tamanho da sua doçura. (Foto: Deivid Correia)
Além dos que ficam apenas durante o período de férias dos donos, há casos como os da cadela Sandy. Sua dona mora em um apartamento, o que impede que dê mais qualidade de vida ao animal. Por isto, durante a semana sua casa acaba sendo o hotel e, apenas nos fins de semana, ela mata as saudades da proprietária. "A mãe dela trabalha muito", explica Gyselda.
A constatação do quanto ficar em lugares com espaço para correr fazia bem aos animais, levou a arquiteta a organizar uma atividade coletiva com donos e cães. A primeira Cãominha Educativa, ocorrerá no próximo domingo, 2 de agosto, das 7h às 12h, nos altos da avenida Afonso Pena. A iniciativa contará também com palestras sobre adestramento e sobre o banco de sangue animal.







