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quarta, 28 de outubro de 2020
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Brinquedo de menina ou menino? Não importa, criança quer é se divertir

O TopMídiaNews conversou com mãe, lojista e uma cientista social para saber sobre o assunto e no decorrer do bate-papo ficou claro uma coisa: quem pensa que existe está ultrapassado

12 outubro 2020 - 11h30Por Nathalia Pelzl

Bola, carrinho e videogames para meninos, bonecas e utensílios de cozinha para meninas, por muito tempo, os estereótipos foram repetidos no presente das crianças. Contudo, em 2020, a pergunta que fica é a seguinte: ainda existe brinquedo de menina e brinquedo de menino?

O TopMídiaNews conversou com mãe, lojista e uma cientista social para saber sobre o assunto. No decorrer do bate-papo, ficou claro uma coisa: quem pensa que existe está ultrapassado.

A professora Kelly Santos da Silva Ferreira, 39 anos, é mãe de um casal. Na visão dela, o que existe é muita ignorância quando a criança decide escolher com o que quer brincar.

“Eu não interfiro, quando a Sara era bebê ganhou várias bonecas, meu menino  pegava, olhava, tirava a tiara, nunca me importei. Hoje as pessoas são muito ignorantes e pensam que isso vai influenciar em algo. Só que eu tenho um primo transexual e vai além do brinquedo. Enfim, não vai ser o brinquedo que vai definir”, reflete.

Giovani Cesar, 25 anos, atua como subgerente em uma loja e brinquedos na Avenida Mato Grosso, região central de Campo Grande. Neste ano, segundo ele, a busca por brinquedos está alta, principalmente de itens para brincar na água.

O profissional destaca que até mesmo a indústria já percebeu que ‘brinquedo de menina e brinquedo de menino’ é coisa ultrapassada.

“Hoje em dia não tem mais esse preconceito, tem bonecos que meninos amam brincar. Vai muito da criança, da criança em casa também. Aqui temos a variedade e o cliente escolhe”.

Já para a cientista social Ariel Dorneles, 28 anos,  a nossa sociedade ainda coloca os brinquedos como algo domesticador da identidade das pessoas, mais especificamente sobre o gênero e como essa pessoa deverá se comportar.

“É por isso que se dá bonecas e panelinhas para meninas, carrinhos e videogames para meninos, sendo as meninas alocadas no campo doméstico/lar e os meninos no campo da rua/ação. Contudo, o brinquedo não consegue "mudar" o gênero de ninguém, gêneros e sexualidades não são fabricados a partir de um brinquedo, é muito mais complexo do que isso. Brincar com boneca e brincar com carrinho diz mais a respeito de como a sociedade enxerga as meninas e os meninos. Isso é problemático, pois restringe a criança de poder brincar, se divertir, e fecha ela dentro de uma limitação sexista”, reflete.

Na visão da especialista é preciso que ocorra uma mudança na forma de pensar e que, no fundo, a criança só quer brincar e ser feliz.

“Primeiro a gente precisa entender que crianças querem brincar, se divertir e, para isso, qualquer coisa serve, independentemente do valor, da cor, dos estereótipos que o brinquedo representa. Quando eu digo a uma menina que ela deve brincar de casinha, de boneca, de maquiagem, então estou produzindo um conhecimento e tentando educá-la para reproduzir aquilo, eu não dou espaço para a criatividade dela, para as potencialidades que ela pode ter em diversas instâncias. Quando essa criança cresce e não reproduz isso, vem as frustrações pessoais e sociais, atrelado ao preconceito. Como, por exemplo, uma mulher ser mestre de obras e um homem ser maquiador”

Além disso, ela esclarece que é preciso mostrar para essa criança que ela pode tanto brincar de boneca quanto de carrinho, mas mostrar isso sem atribuir juízos de valor.

"Se a gente der um carrinho para uma menina, ela vai brincar e se divertir muito porque a proposta do brinquedo é essa: entretenimento. E quando a gente permite que essa criança acesse brinquedos diversos, independentemente do gênero, a gente ainda consegue passar a informação que ela pode dirigir um carro, pode ir para a guerra, pode criar empresas, pode ser mãe, etc. Ela não precisa ficar fadada a um tipo de vida. Precisamos sair desse lugar onde homens fazem uma coisa e mulheres fazem outra”, finaliza.

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