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Carteiro, a rotina e as dificuldades da profissão

Homenagem

25 JAN 2014
Renan Gonzaga
06h00min
(Foto: Reprodução)

Você se lembra da última vez que mandou uma carta? Provavelmente não. E, acredite, alguns jovens nunca escreveram uma. No Dia Nacional do Carteiro, talvez seja este o momento de refletir sobre o futuro dessa profissão que se confunde com a história do país e que, segundo quem trabalha na área, não é nem um pouco simples.


No Brasil, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos entrega cerca de 8,3 bilhões de objetos por ano, e é claro que se não fosse o trabalho dos 56 mil carteiros espalhados pelo país, isso não seria possível. Vale lembrar que desse total, 10% são mulheres.


Helton Machado tem 33 anos e há 11 trabalha como carteiro. Ele relata que durante esse tempo dedicado a profissão, viu muitas situações 'inusitadas' que o deixaram sem reação. “Já aconteceu de eu chegar na casa para entregar a carta e encontrar o maior quebra-pau, e eles pararam de brigar só para me atender.”


Helton trabalha como carteiro há 11 anos. (Foto: Arquivo pessoal)


Para Helton, todo carteiro precisa ser um bom psicólogo. Certa vez, ao entregar uma conta de telefone, a mulher dona da casa descobriu uma traição. E ele se viu na obrigação de acalma-la para ela parar de chorar. Outro momento memorável foi quando, durante uma entrega bem cedo da manhã, uma mulher totalmente embriagada o confundiu com o namorado dela, desligou sua moto e começou a beija-lo e abraça-lo.

 

“Uma vez também vi um monte de gente sentada na frente da casa, e quando eu cheguei para entregar a carta era um velório.”


O jovem, que também é técnico em recursos humanos, explica que o momento mais compensador de sua carreira com certeza é quando se veste de Papai Noel na empresa para entregar presentes para crianças carentes. “É muito gratificante ver os olhares ao receber os presentes. Tem umas que chega a te abraçar e chorar. Não tem dinheiro que pague você fazer o bem para outros.”


MANDAR CARTAS É ERRADO?


Algumas pessoas acreditam que mandar carta, além de ultrapassado, prejudica a natureza. A justificativa é que as toneladas de papel gastas, a energia usada para imprimir, o combustível queimado em todo processo de transporte, seja por carro ou avião contribuem para o 'assalto' aos recursos naturais.


A estudante Joelma Pereira, de 16 anos, é um exemplo de quem acredita neste pensamento contemporâneo. “Acho que nem minha avó manda cartas mais. E as árvores cortadas para fazer o papel então? A natureza sai perdendo, por causa de algo que foi substituído pelo e-mail há muito tempo”, afirma.


Segundo a jovem, seu contato com o envelope se deu apenas para fazer pedidos para o Papai Noel, na época do Natal. “Só escrevia para pedir presente, mas carta mesmo, para alguém de outra cidade ou estado eu nunca mandei. Nem quando era criança, nunca escrevi nenhuma para a Xuxa”.


Postais saíram de moda há muito tempo. (Foto: Reprodução)


Por outro lado, um dos símbolos master da modernidade e empresa mais supercool da atualidade, o Google, é um exemplo de que as cartas ainda são meios de comunicação utilizáveis, mesmo com todos os aparatos tecnológicos para entrar em contato com alguém.


Olha só a contradição: Recentemente, o editor da Revista Info, um dos maiores veículos sobre tecnologia e internet do Brasil, recebeu uma carta da empresa de Larry Page e Sergey, que viajou de avião por 7.600 quilômetros para informar o PIN de ativação da conta que havia sido criado para um blog.


HISTÓRIA


Em 25 de janeiro de 1663 foi criado o Correio-Mor no Brasil, que era um ofício postal concebido pelo rei de Portugal D. Manuel I. O primeiro titular da instituição foi Luiz Gomes da Matta Neto, e após sua nomeação, o correio brasileiro passou a funcionar de modo concreto, sendo autorizado a receber e enviar cartas de todo o Reino.


Mas só em 1835, o Correio da Corte passou a fazer a entrega de correspondências a domicílio. Porém, só tinha direito a essa 'exclusividade' as casas particulares e comerciais que pagassem uma contribuição de 10 a 20 mil réis por ano.


Quando o telégrafo foi introduzido no Brasil, em 1852, surgiram as pessoas que faziam as entregas dos telegramas, chamadas de mensageiros. Já a palavra carteiro, é utilizada para se referir a quem entrega cartas e telegramas, de ser a designação privativa dos serviços dos Correios.


Funcionando separadamente, a Repartição Geral dos Telégrafos e o Departamento de Correiros, só se uniram em 1931, criando o DCT – Departamento de Correios e Telégrafos. Anos depois, em 1969, o antigo DCT foi transformado na ETC – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

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