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08/07/2014 06:00

Casal faz de casa ateliê e aposta em capivaras como símbolo do Pantanal

Roedor simpático

As revistas de decoração não teriam serventia para o casal Valéria Marques, 52 anos, e Diogo Zarate, 36 anos.  Juntos há oito anos, a dupla utilizou os móveis de sua residência para expressar suas inquietações artísticas e criaram um local singular, que acabou se transformando no Ateliê Vó Dalila, onde são desenvolvidas peças de artesanato que passaram a ser comercializas em estabelecimentos especializados de Campo Grande. Entre as principais criações estão as simpáticas capivaras de resina (durepoxi) que ganharam também versões em chaveiros e lápis.


Os caminhos de Valéria e Diogo se cruzaram quando ambos já viviam na Capital sul-mato-grossense. Ela do Rio de Janeiro e ele de Corumbá. A arte sempre teve presente em suas vidas. Valéria sempre levou tudo como um hobby e Diogo teve, ainda em sua cidade natal, contato com artesanato, mas posteriormente se dedicou a música, atuando como baterista da banda Jennifer Magnética. Os trabalhos passaram a complementar a renda há dois anos.


(Foto: Geovanni Gomes)

Cobras e corujas também ganharam versões em resina. (Foto: Geovanni Gomes)


A influência da companheira e o resgate da experiência de 20 anos atrás com artesanato, resultaram na peça mais popular na dupla, as capivaras. "Quando comecei a expor meus trabalhos em feiras fora do estado eles queriam que mandasse peças mais regionais. Então, o Diogo me falou que tinha tido contato com isto anteriormente e criou esta peça", relata.


Pedras encontradas por aí, durepoxi e anilina compõem as peças que ainda são feitas somente em tamanho reduzido. "A ideia veio do nada. Eu gosto muito de capivaras e um dia encontrei uma pedra, destas de calçada, solta e imaginei que ficaria legal uma capivara em cima dela", afirma Diogo. Cobras e corujas também ganharam forma na resina, mas nenhuma foi tão popular quanto o mamífero.


A escolha pelo animal destoa de outros artesanatos regionais que costumam focar em outras figuras típicas do pantanal, como araras, onças, jacarés e tuiuiu (sendo está o símbolo oficial). Embora tenham chegado a arriscar outros animais, as formas arredondadas das capivaras foram as que deram mais cerdo. O contato direto com o roedor, mesmo na capital, também contribuiu para a identificação dos consumidores. “É um animal que está presente no Brasil todo, na verdade”, afirma o baterista.


(Foto: Geovanni Gomes)

(Foto: Geovanni Gomes)


Mas o talento do casal não se restringe ao roedor mais querido de Campo Grande. Anteriormente Valéria já desenvolvia principalmente artigos de decoração.  Conforme a artesã, as experiências começaram em seus próprios móveis. “Quando estava no Rio fazia trabalhos com sabonetes. Em Campo Grande, não deu muito certo e ampliei para outras coisas”, relata.


O armário antigo dos filhos se transformou em uma bela estante para sala, o velho abajur ganhou revestimentos florais e o sofá, de mais de 30 anos, está sempre com a cara de novo. Imagens de santos ganham novas cores e oratórios exclusivos nas mãos de Valéria. Entre seus trabalhos de maior reconhecimento estão os quadros feitos com folhas e flores desidratadas.


(Foto: Geovanni Gomes)

Quadros com folhas desidratadas. (Foto: Geovanni Gomes)


Com sua versatilidade, o casal traz uma cara nova e mais utilitária ao artesanato da capital. A pouca variação, foi uma carência percebida por Valéria logo que se mudou para cá. “Achei o artesanato daqui carente. Senti falta de coisas mais diversificadas. Mas isto está mudando aos poucos. Está crescendo”, afirma.


As capivaras de Diogo e Valéria, e os outros trabalhos do casal, podem ser encontradas na loja da Artems (Associação de Artesanato de Mato Grosso do Sul), no 2º piso do Pátio Central, na rua Marechal Rondon, 1380, e na Casa do Artesão, na avenida Afonso Pena com a rua Calógeras. As capivaras variam entre R$ 20 e R$ 80. O contato também pode ser feito por meio da página "Ateliê Vó Dalila" no Facebook.

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