O adjetivo refrescante, dito da boca para fora, não é o suficiente para matar a curiosidade dos fãs de cerveja artesanal que se deparam com uma versão da bebida feita com ingrediente típico de terras sul-mato-grossense. Segunda do tipo no Brasil, a cerveja de mandioca foi estratégia de uma cervejaria do estado para regionalizar o produto e criar uma identidade para a marca. Criada em 2013, a Morena Bier Cervejaria está instalada no Polo Industrial de Campo Grande e tem capacidade de produzir 10 mil litros mensalmente.
Escrita em sua versão tupi guarani para ganhar ares gourmet, a cerveja de Mani-oca não é o único nem o primeiro diferencial da marca. Com três versões engarrafadas, as cervejas são feitas com 100% de malte de cevada, além de serem produzidas com matéria-prima trazida da Alemanha e haver a opção Weizen, produzida a partir do trigo. De acordo com o gerente comercial da empresa, Marcelo Fernando Tinos, a opção pantaneira da bebida foi à última ser criada e é feita com mandioca produzida no sul do estado, responsável pelo gosto mais suave do que de outras artesanais. “O ingrediente faz com que a bebida tenha um sabor próximo ao das cervejas nacionais”, explica.

Fécula de mandioca é acrescentanda juntamente com malte de cevada. (Foto: Deivid Correia)
Apesar do nome da cervejaria, uma homenagem declara a capital sul-mato-grossense, e da versão regional da bebida, a ideia partiu de dois irmãos catarinenses cinco anos antes de ser posta em prática. Coube a Osir Afonso Tessari o desafio do empreendimento. Professor universitário, ele trocou Blumenau (SC) por Campo Grande e optou em por o sonho em prática na capital. Inicialmente, a produção era comercializada apenas em barril, ou seja, como chopp. Para melhor escoamento, a bebida passou a ser engarrafada e, atualmente, atende além de estabelecimentos da capital, o interior do estado.
Para inovar com a criação da cerveja de mandioca foi necessário abrir brechas na “Lei Alemã de Pureza”, que norteia a criação dos produtos da cervejaria. Por essa regra, instituída em 1.516, a produção de cerveja deve ter apenas água, lúpulo, malte de cevada ou de trigo e levedura. A verdade é que a regra é mantida e apenas ganha um elemento especial. “A cerveja de cevada é apenas o início de uma regionalização que a empresa pretende desenvolver”, explica o gerente comercial.

Marcelo Tinos é gerente comercial da empresa e afirma que mandioca é apenas o início de regionalização. (Foto: Deivid Correia)
A fabricação
Conforme Marcelo, são necessários de 15 a 21 dias para produzir a cerveja. Na fabricação, a levedura fermenta por dias e, depois, a bebida fica em repouso para maturar. Antes dessas etapas, o malte da cevada ou de trigo é aquecido em alta temperatura, momento em que são acrescentadas também as féculas de mandioca. Depois, o líquido é filtrado, fervido e resfriado. Nessa etapa, ocorre a fermentação feita pela levedura. O gerente comercial relembra que, assim como em outras bebidas consideradas alcoólicas, na cerveja não é adicionado álcool, este é criado justamente a partir da levedura que transforma o amido.

Cevejas demoram de 15 a 21 dias para ficar prontas. (Foto: Deivid Correia)
Armazenadas em cascos virgens, responsáveis por 40% dos custos na produção de cada garrafa, o preço das cervejas variam de R$ 10 a R$ 15 dependendo do estabelecimento em que está sendo comercializada. Bares, conveniências, lojas especializadas e o Mercado Municipal da Capital estão entre os locais que os produtos podem ser encontrados.
(Matéria alterada no dia 26/09/2014, às 13h, para correção de informação)







