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Ciao, Italia: cidadania italiana vira alvo de desejo de brasileiros na pandemia

Procura pela dupla nacionalidade cresceu nos últimos meses e especialista explica que documento pode ser retirado em até dois anos

23 junho 2021 - 16h36Por Vinicius Costa

A pandemia abriu um leque de oportunidades na vida dos brasileiros e a dupla cidadania não passou despercebida nos olhos de quem enxerga um novo horizonte longe do território sul-americano. O principal objetivo, para algumas pessoas, é a retirada da cidadania italiana que ficou cada vez mais comum no país.

Com o intenso processo de permanecer em casa por conta das restrições da covid-19, muitos cidadãos passaram a questionar a possibilidade da retirada da dupla cidadania e o isolamento social foi um trunfo: serviu para buscar as origens, história de vida, fotografias, documentos ou certidões.

Porém, mesmo sem poder sair de casa, a possibilidade de garantir o direito de ser italiano e ter uma vida mais tranquila lá fora, devido à instabilidade financeira e política no Brasil, fez crescer a procura.

Genaro Bruschi, especialista em reconhecimento de cidadania italiana, a procura por esse direito "cresceu absurdamente, a procura está bem alta". Mas todo o processo, que parece simples, demora um bocado para ser adquirido de forma oficial pelos brasileiro. O especialista explicou para a reportagens quais são os principais passos.

A primeira coisa a se fazer é verificar se você tem um ascendente em linha reta que nasceu na Itália e reunir os documentos, como certidão de nascimento no país italiano, para comprovar a descendência. "Se encontrar é 90% de chance de concluir todos os requisitos", diz.

"Os descendentes de italianos podem obter o reconhecimento da cidadania, pois já são italianos desde o nascimento, por direito de sangue, comprovado pela filiação, e não existe limite de geração. Assim, se seu avô, bisavô, trisavô... É italiano, você também é! Existem algumas causas de impedimento, mas, via de regra, descendente de italiano, em qualquer grau, tem direito a obtenção da nacionalidade italiana”, completa.

Todo o processo de colher a documentação exata, seja de certidão ou casamento, tanto no país como na Itália, demora em média de 3 a 4 meses, tempo considerado onde o cliente consiga ter basicamente todas as certidões em mãos.

Depois disso, o especialista afirma que a documentação passa por uma perícia para averiguar se não há nada irregular que precise ser corrigido. "É feito uma análise técnica para descobrir se há algo que precisa ser corrigido. Feitas as correções, o próximo passo é a tradução das certidões para o italiano e a última etapa é a autenticação que é conhecido como apostilamento".

Três vias de regra

Genaro argumenta ainda que as pessoas possuem três caminhos para definir onde tirar a dupla cidadania. A primeira delas é buscando auxílio no Consulado Italiano, atualmente são 7 no país, mas que hoje possuem uma fila média de 12 anos para a convocação e o reconhecimento - o consulado de jurisdição de Mato Grosso do Sul é o de São Paulo.

A segunda maneira é residir por um tempo médio de 3 a 6 meses, aproximadamente na Itália. Hoje essa opção é uma das mais complicadas que, por conta do cenário da pandemia, as fronteiras e entradas para turistas brasileiros estão fechadas. Deste modo, esse segmento atualmente está inviável.

O terceiro método e o mais utilizado entre as famílias é a via judicial, onde é ajuizado uma ação judicial na Itália para que o requerente não precise se deslocar até a Itália em nenhum momento do processo. A convocação neste caso gira em torno de até 2 anos.

Genaro Bruschi expõe todos os benefícios e vantagens que a dupla cidadania pode trazer para o brasileiro. Neles estão elencados estender sua cidadania italiana para seu filho, caso ele seja menor de idade, ter livre acesso aos países da Europa e pode ingressar nos Estados Unidos sem a necessidade do visto americano.

Além disso, a pessoa pode residir, trabalhar e estudar em qualquer país que faça parte da União Europeia, entre outros benefícios. “Para iniciar sempre sugerimos que o interessado pela cidadania tenha uma boa conversa com os familiares. Dessas simples conversas sempre saem informações importantes sobre o passado e seus ascendentes", finaliza Genaro.

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