O sistema prisional de Corumbá adotou novas práticas no processo de ressocialização dos detentos. Através do projeto de extensão "A Literatura Liberta" é realizado simultaneamente nos presídios femininos e masculinos de regime fechado do município.
O projeto é realizado em formato de clube de leitura, com a participação de 120 pessoas no total. A iniciativa é desenvolvida pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em parceria com a Agepen (Agência Estadual de Administração Penitenciária) e o Conselho da Comunidade de Corumbá.
Apesar de outras ações relacionadas à leitura já serem realizados, o projeto se destaca pela criação do clube de leitura, quebrando o padrão individual já adotado. Todos os participantes leem a mesma obra e, com mediação especializada, compartilham percepções, experiências e reflexões.
De acordo com a equipe de comunicação da Agepen, a curadoria para a seleção das obras elegeu 18 títulos, incluindo 8 obras de autores sul mato-grossenses. O projeto é coordenado pela professora doutora Elaine Dupas, do curso de Direito da UFMS Campus Pantanal, e ela afirma que a leitura é uma ferramenta indispensável para a ressocialização. "Isso vai além da leitura individual tradicional e permite outras percepções e reflexões”.
A mediação das discussões é realizada por especialistas como Marcelle Saboya, referência em clubes de leitura e mediadora do Clube Leituras di Macondo, existente há mais de uma década na capital pantaneira. Todas as obras escolhidas fazem parte de uma biblioteca itinerante que garante a circulação dos livros entre as unidades feminina e masculina do sistema prisional de Corumbá.
Para a diretora de Assistência Penitenciária da Agepen, Maria de Lourdes Delgado Alves, o trabalho só é possível por causa do trabalho integrado dos policiais penais e da direçã das unidades. “O sistema prisional sul-mato-grossense tem investido em ações estruturadas que promovem educação, cultura e oportunidades reais de transformação. O clube de leitura está em consonância com o nosso compromisso com a ressocialização responsável, com respaldo legal e acompanhamento técnico, mostrando que é possível unir segurança e dignidade”, afirmou.








