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20/08/2014 07:22

Colorindo mais que Ipês, grafite se torna comum e dá ares urbanos a Capital de 115 anos

#Morena115Anos

Grolli, Guto, Verme, Sulivan, Mareco, Decy...Letras rabiscadas que nos deixam em dúvida sobre do que se trata, se é uma assinatura ou se é só mais um elemento dos inúmeros que compõe a complexidade do grafite. Basicamente, uma espécie de inscrições feita nas paredes. A técnica é mais antiga do que pensamos, mas seu aparecimento da forma como conhecemos aconteceu na cidade de Nova York, na década de 1970. No Brasil, o pai e mãe do grafite foi na cidade de São Paulo. Hoje arte onipresente, a técnica não poupou as paredes de Campo Grande e traz algum ar de grande metrópole à jovem Morena de 115 anos.


Incrementada de diversas outras técnicas e desenhos, o grafite adquiriu ainda mais um linguagem universal que ao mesmo tempo permite diversas interpretações. O grafite está ligado diretamente a vários movimentos, em especial ao Hip Hop. Para este grupo, a técnica é a forma de expressar toda a opressão que a humanidade vive, principalmente os menos favorecidos, ou seja, o grafite reflete a realidade das ruas. O crescimento da capital sul-mato-grossense, inevitavelmente acompanhado da acentuação das desigualdades, tornaram a identificação com esta arte ainda mais comum.


Grafite na rua José Antônio, centro de Campo Grande. (Foto: Deivid Correia)

Grafite na avenida Noroestes, em frente ao Orla Morena. (Foto: Deivid Correia)


Entre as grafiteiras mais ativas na cidade está Marilenna Grolli. Apesar de ser natural de Cáceres (MT) foi em Campo Grande que ela ganhou reconhecimento e liberdade para desenvolver sua arte. Tendo como personagem principal uma espécie de zumbi que ganha leveza com asas e cores fortes, seus painéis são comuns nas paredes da cidade e muitas vezes se funde com grafites de outros artistas, prática comum entre os adeptos desta arte.


De acordo com o artista, que grafita há 10 anos, houve um considerável aumento da técnica nos últimos três anos. "Assim como os grandes centros, Campo Grande está começando a ver os benefícios do grafite", explica. Grolli explica que a técnica sempre foi muito marginalizada, mas começa a ser vista como o que realmente é: uma forma de doação do artista, que abre mão das galerias de arte para ser visto nos muros da cidade.


Grafite na rua José Antônio, centro de Campo Grande. (Foto: Deivid Correia)

Grafite de Marilena Grolli na Orla Ferroviária - Centro. (Foto: Deivid Correia)


Entre a população os desenhos causam controvérsias. No caso do promotor de vendas Everton Tavares, 33 anos, as definições sobre a arte já estão bem claras. "Acho que o grafite é bom para a descoberta de novos talentos. Mas sou contra a pichação, acho que não embeleza em nada a cidade", afirma ele sobre o ato de escrever ou rabiscar sobre os muros.


Orla Morena, Orla Ferroviária ou qualquer parede com ou sem dono são onde os desenhos podem ser encontrados em Campo Grande. Com mais de um século de existência, a cidade ganha com eles cara de mundo, ao dar na população a sensação ambígua de pertencimento e não-pertencimento, característica da globalização latente com que convivemos.

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