Uma dupla de palhaços e 797 alunos da Escola Estadual 26 de Agosto, no bairro São Francisco, região central de Campo Grande. A diferença no número de pessoas parece covardia, mas a intenção da Trupe Bobos da Peble é quebrar qualquer barreira que exista entre alunos e artistas e descobrir os potenciais de cada um. A iniciativa faz parte do projeto Mais Cultura na Escolas, do governo Federal, e começou a ser desenvolvido na escola de Campo Grande há uma semana.
O jeito introvertido e apegado dos jovens destoa bem da postura inerente aos palhaços Palacia e Palito, interpretado pelos atores Tamara Prantl, 25 anos, e Pietro Lara, 29 anos. As roupas bufantes e o sarcasmo enfrentaram uma certa resistência dos alunos de 6º anos ao Ensino Médio. "Estamos ainda bem no início. Mas dá para perceber que eles têm dificuldade para se expressar. Eles não têm essa vivência", explica a atriz.

(Foto: Deivid Correia)
Com um humor mais próxima da ironia do que da ingenuidade, comum nos palhaços infantis, a dupla busca se aproximar da faixa dos 10 a 18 anos atendida pela escola. Para incentivar a participação dos alunos, as intervenções cênicas são feitas de forma participativa e tentam de alguma forma se aproximar da realidade de cada aluno para iniciar um diálogo sobre os talentos de cada um. "O projeto acaba funcionando como um despertar de uma consciência cultural que muitas vezes está escondida por traz desta timidez", explica o diretor Milton Cardoso Sobrinho.
A iniciativa é mais uma opção para integrar alunos especiais como Ingrid Coelho Assis, 25 anos, que aproveitou a ocasião para fazer uma apresentação de country juntamente com sua professora supervisora Liliane Gomes, 36 anos. "Para a Ingrid foi mais uma possibilidade de interagir", explica.
(Foto: Deivid Correia)
O projeto tem previsão de durar seis meses e prevê diversos tipos de atividades. Nesta segunda-feira (11), a programação foi voltada para as comemorações do Dia do Estudante. Trabalho com transmissão oral de histórias também será realizado com os alunos, em que eles procurarão ouvir contos de avós e moradores da região do São Francisco. Entre as heranças físicas deixadas pelo projeto, estarão a transformação dos espaços da escola em ambientes lúdicos, além de painéis visuais em substituição aos rabiscos das portas dos banheiros. "A intenção é que os alunos sejam os atores disto. Somos apenas provocadores", explica Tamara.







