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Com luta diária para se manter, projeto ganha reforço na alimentação e brinquedos feitos por presos

A doação integra o projeto “Além dos Muros”, que já beneficiou outras quatro instituições sociais da Capital e de Dourados

1 AGO 2019
Portal MS
11h56min
Foto: Tatyane Santinoni

Iniciado há três anos e sete meses, o projeto social “Escolinha da Tia More”, no bairro Jardim Canguru, recebeu um reforço especial nessa quarta-feira (31.7) com a doação de alimentos e brinquedos produzidos com mão de obra de internos do sistema prisional de Campo Grande.

Feitos a partir das mãos de homens e mulheres em cumprimento de pena, pães, fatias húngaras, bonecos em tricô e carrinhos de madeira ajudaram a levar alegria às 48 crianças e adolescentes atendidos.

A doação realizada pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) integra o projeto “Além dos Muros”, realizado há um ano e que já beneficiou outras quatro instituições sociais da capital e de Dourados.

Segundo a chefe da Divisão de Trabalho da Agepen, Elaine Cecci, a ideia dessa iniciativa é demonstrar que dentro das unidades penais existe capacidade produtiva. “Além de mostrar o trabalho desenvolvido pelos reeducandos, é uma forma de valorizar o serviço dos agentes penitenciários também, que viabilizam ações como essa. A sociedade precisa conhecer os diversos projetos realizados nos presídios do estado, assim como, ser beneficiada também através do trabalho prisional”, enfatizou Elaine, destacando que para as doações são selecionadas, principalmente, instituições sem vínculos políticos e sem doadores fixos.

O projeto do bairro Jardim Canguru também recebeu a doação de mandiocas descascadas por internos, para reforçar as refeições servidas no local, e tapetes feitos em unidades prisionais, que poderão ser vendidos para ajudar na complementação de recursos para que a escolinha Tia More possa se manter, já que sobrevive apenas de doações e da boa vontade de sua fundadora Edileuza Luiz, que, junto com sua família, se dedica a ajudar a construir um futuro melhor para essa crianças, que muitas vezes, têm a única refeição diária garantida no local.

“O que me motiva é o amor, não vejo minha vida sem essas crianças. Em vez de estarem na rua brigando e aprendendo o que não presta, estão aqui protegidos. Querem ser médicos, professores, delegados e eu tenho certeza que lá na frente vou vê-los formados”, destaca Edileuza.

Segundo ela, a “Escolinha da Tia More” é fruto de um projeto anterior realizado há seis anos no Bairro Dom Antônio Barbosa. Edileuza era voluntária no “Filhos da Misericórdia” e fundou sua própria instituição, para ampliar as possibilidades de ajuda.

Trabalha no local junto com a família, duas de seus quatro filhos, que ela conta que criou sozinha –  sustentados com dinheiro da reciclagem, no aterro sanitário – ajudam nesta missão de se doar. “Nenhum deles se formou, infelizmente, mas são todas boas pessoas que estão aqui me ajudando”, ressalta. “Quando eu morrer minha filha vai levar o meu legado”, complementa, apontando sua filha mais velha.

O local se matem a base de doações. Para tocar o projeto é um desafio diário que vai desde a falta de colaboradores a problemas como um incêndio ocorrido em fevereiro deste ano que destruiu parte da varanda que estava sendo construída no local. “Essa contribuição da Agepen, além de ajudar no dia a dia, seja a alimentação seja os brinquedos é muito importante para nós e vai fazer muita diferença”, agradeceu.

Acolhimento

Os irmãos Vitor Hugo e Heloisa Vitória são alguns dos atendidos pelo projeto, junto com seus outros dois irmãos. No local, além das brincadeiras e reforço escolar que recebem, eles também fazem suas refeições. “Gostei muito dos brinquedos, gosto daqui para aprender e praticar a leitura e a escrita e é uma oportunidade de interagir com outras crianças de forma saudável. Antes eu ajudava a construir a casa com meu pai, agora posso vir para cá fazer coisas de criança”, comenta Vitor Hugo. “Gostei muito da visita e das doações, principalmente do palhaço de crochê”, complementa Heloísa Vitoria.

Para Vitória Claudino Souza, de 15 anos, as várias atividades diárias têm contribuído muito para sua rotina, que se divide entre o projeto no período da manhã e a escola à tarde. “Eu gosto muito de vir aqui”, afirma a adolescente, que também leva seus outros dois irmãos menores para participar do projeto.

O diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, ressaltou que contribuir para esta ação social, além de humanizar a pessoa em cumprimento de pena, fazendo com que o fruto do trabalho de suas mãos ajude a quem mais precisa, a iniciativa também ajuda a evitar que essas crianças entrem no mundo da criminalidade.

“Muitos homens e mulheres que hoje estão no sistema prisional são reflexo da falta de oportunidades. Muitos não tiveram este apoio e acolhimento que esse projeto proporciona, e nós da Agepen buscamos ir muito além dos muros para ajudar nesta transformação”, enfatizou.

O dirigente ressaltou que a agência penitenciária e seus servidores buscam realizar iniciativas que colaborem com ações assistenciais. “Estamos aqui hoje para contribuir com vocês, para ajudar um pouco com o que podemos, são algumas doações para vocês crianças, que serão nosso futuro. Por isso todos aqui envolvidos queremos que vocês possam estudar e possam proporcionar a outras crianças esta mesma ajuda, quem sabe em nosso lugar ou mesmo como governantes, podendo fazer a diferença na vida de muitas pessoas”, finalizou.

Ao todo, foram doados 150 pães produzidos no Instituto Penal de Campo Grande (IPCG); 25 brinquedos pedagógicos confeccionados no presídio de Segurança Máxima da capital; 13 tapetes artesanais em crochê feitos no Centro de Triagem “Anísio Lima”; 40 kg de mandioca congelada, descascada e embalada no presídio feminino de regime semiaberto e aberto, por meio da empresa parceira “Mandioca Dois Irmãos”.

A Escolinha da Tia More atende no contraturno escolar, de terça a sexta-feira e está localizada na Rua Jara, nº 150 – Quadra 30 Lote 45 – Jardim Canguru, em Campo Grande. Quem quiser ajudar com o projeto pode entrar em contato pelo telefone (67) 9 9322-0600.

Já para quem tiver interesse em participar ou saber mais sobre o “Além dos Muros”, entre em contato com a Divisão de Trabalho da Agepen pelo telefone (67) 3901-1750 ou 3901-1046.

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