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Com obra inédita, Orquestra da Capital ganha reconhecimento nacional

25 agosto 2015 - 08h02Por Kamila Alcântara

A Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande está sendo reconhecida pelo cenário nacional por tocar uma obra inédita do compositor Radamés Gnattali, um dos maiores arranjadores brasileiros do século XX, que inclusive venceu um concurso público de 1979 que escolheu uma obra sua como o Hino do Estado de Mato Grosso do Sul. O concerto será aberto ao público, com entrada gratuita no Teatro Glauce Rocha, às 20 horas de hoje (25).

O principal responsável por reproduzir esta obra é o solista campo-grandense Evandro Higa, 56, que teve o primeiro contato com a partitura original há quase 30 anos atrás, quando estudou no Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro. “Na época eu tinha 26 anos quando encontrei a partitura original. Eu e uma professora, a Maria Guilhermina, pensamos em tocar a peça, até nos reunimos com o Radamés, mas a falta de tempo e a morte dele [Redamés] fez com que não concluíssemos isso”, relembra.

 (A morto de Radamés foi um dos empecilhos que impediu Higa de tocar a obra. Foto: Geovanni Gomes)

Higa lembrou da obra, pesquisou e descobriu que ela ainda não havia sido tocada por ninguém, mesmo sendo do principal compositor do Brasil. “Foi uma surpresa para mim descobrir que ninguém tinha tocado essa peça ainda, que ninguém a conhecia. Agora é uma responsabilidade muito grande, já que orquestras de todo o Pais reproduzem as obras de Redamés”, conta.

Com o anúncio de que a Brasiliana .12, nome da obra composta em 1967, iria ser tocada, orquestras de todo o Pais e veículos do seguimento clássico voltaram-se para a Orquestra Municipal. “A gente conseguir fazer a estreia deste concerto inédito é algo muito raro e de grande responsabilidade. Nós recebemos muitas felicitações dos grandes veículos do meio clássico, inclusive do secretário de Cultura de Porto Alegre, cidade natal de Redamés”, explica o maestro Eduardo Martinelli.

(Foto: Geovanni Gomes

Para que a partitura fosse entregue aos músicos da Osquestra, foi necessário formatá-la. “Nós pegamos a partitura feita à mão para piano, então tivemos que formatar de uma forma que todos os músicos pudessem tocar. Agora, essa obra que havia sido esquecida, será reproduzida daqui para frente. O próximo concerto será feito em novembro, pela Orquestra Sinfônica de São Paulo”, conclui Martinelli.

Além do concerto de Radamés Gnattali,  a programação da noite se dará exclusivamente por compositores brasileiros em obras para orquestra de cordas de Villa-Lobos, Claudio Santoro, Ernani Aguiar e Guerra-Peixe entre outros.