A praça Ary Coelho amanheceu com ares de época na manhã deste domingo (10). Carros antigos e geladeiras típicas dos anos 50 foram os objetos que chamavam atenção à primeira vista. Mas as tendas de lona branca escondem coisas muito mais curiosas do que os itens que passaram de peças de utilidades há descolados itens de decoração. Medalha de condecoração da 2ª Guerra Mundial e coleção de moedas e cédulas antigas estão entre os achados que trazem junto com o encanto da descoberta bons anos de história.
Passando de mão em mão, os artigos de antiguidade chegam aos fornecedores das mais diversas formas. Muitas vezes eles atravessam diversos estados vindos de outras feiras do tipo. No meio de tantas idas vindas às histórias de cada objeto já não permanecem mais tão fiéis e se perdem juntamente com os solavancos das viagens.
Um dos exemplos é o lampião de ferrovia comercializado por Gilberto Espíndola Garcia. Eleito como a peça mais curiosa de sua banca, ele afirma que o objeto foi adquirido no Rio de Janeiro, mas do item sabe apenas a utilidade. “Era usado para sinalizar o trem e possuía duas opções de vidro, um vermelho e um verde, para indicar parada ou continuação”, explica.

(Foto: Deivid Correia)
Entre os itens em que nos perguntamos como vieram parar justamente em Campo Grande, está uma medalha de condecoração da 2ª Guerra Mundial (1939-1945). Conforme o colecionador de medalhas responsável pela relíquia, Plínio Carlos da Silva, 60 anos, o item era dado a italianos que voltavam com vida do embate. A raridade pode ser adquirida pelo valor de R$ 600. “Entre outras medalhas, tem até as com 150 anos de história”, garante o comerciante sobre os outros itens.

(Foto: Deivid Correia)
Em se tratando de viagem no tempo, a banca da Anumis-MS (Associação Numismática Sul-Mato-Grossense), trouxe boas opções, inclusive para reativar a memória de alguns. O foco da associação é na coleção de moedas, cédulas e selos antigos. De acordo com a artesã, Antonia Castro, 47 anos, a associação existe desde 2010 e possui 17 colecionadores. Entre as raridades reunidas pelos membros está uma moeda da época do Brasil colônia, de 1816. “A moda tinha valor de três patacas”, explica a colecionadora.

(Foto: Deivid Correia)
Especializada em peças para carros antigos, o comércio de Magno Barros, 23 anos, traz artigos de conhecimento de um público bem específico. Entre os itens mais curiosos, os apaixonados por automobilismo puderam encontrar emblemas para caminhonetes F 100, que, sem nenhuma explicação, nunca foram utilizados. Os fãs de fuscas tiveram que entrar no tapa por um retrovisor interno, peça única e original também fornecida no local.

(Foto: Deivid Correia)
Os carros também são motivo de nostalgia para quem passa pelo local. O Karmann Ghia, com certificado de originalidade, aguçou as lembranças da infância do pintor Luis Carlos Dias, 47 anos. “Fazia muito anos que não via este modelo. Já andei em modelos assim e não são iguais aos carros que se fazem hoje”, afirma com convicção.

(Foto: Deivid Correia)
Embora para maioria dos colecionadores o comércio de antiguidades seja apenas hobby, o convívio com tantas peças diferentes acaba despertando uma verdadeira paixão pela prática, tanto que fica até difícil eleger o que há de mais excêntrico entre os produtos. A prova disto é o colecionador Marcelo Rosa,39 anos. Uma pequena serra de madeira é considerada sua maior relíquia. Conforme ele, o item é muito cobiçado por senhores de idade, mas não está a venda.







