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24/10/2014 08:15

Com picolé de Jaca e Araticum, sorveteria tem sabores do mato e é surpresa na periferia da Capital

Fruta no palito

Quebrar os hábitos pelo paladar. Mais do que experimentar um sabor excêntrico, se arriscar a provar os picolés produzidos pelas irmãs Darli Castro da Costa, 56 anos, e Renata Castro Costas, 44 anos, significa encarar preconceitos e descobrir a delícia do desconhecido. Para desmistificar qualquer julgamento prévio, o estigma se tornou batismo: Frutos do Mato. Genuinamente sul-mato-grossense, os picolés há sete anos refrescam o calor da população do bairro Jockey Club e região.


Apesar de nascidas no interior de São Paulo, as irmãs cresceram em meio a propriedades rurais do Estado. Foi nesta fase que os sabores dos frutos ditos do mato entraram em suas vidas. “Viemos para cá em 1972. Na região de Miranda tivemos contatos com frutas como Araticum, Bocaiúva e Guavira”, relembra Darli.


Picolé de Laranjinha-de-Pacu. (Foto: Deivid Correia)

Darli e a irmã tiveram a ideia a partir de pesquisas realizadas na UFMS. (Foto: Deivid Correia)


Na vida adulta, o contato com as frutas se tornou necessidade de trabalho. Formada em Química, Darli atuou nos anos 80 em pesquisas relacionadas à alimentação na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Um das propostas era encontrar formas para que os frutos regionais se tornassem atraentes a população. Sabendo como fazer e com a intenção de levar os sabores para além dos muros da universidade foi criada a sorveteria, em 2007.


A criação do estabelecimento não parecia atraente apenas pelas possibilidades financeiras, mas pelo cunho cultural.  “A ideia sempre foi trabalhar com frutos típicos do cerrado e trabalhar de maneira mais sustentável. Além de incentivar o resgate da cultura dos frutos regionais”, explica Darli. Conforme a empresária, a população não tem o hábito de consumir essas frutas e muitas chegam até ser desconhecida de quem nasceu no estado.


Matéria-prima


Como Buriti e Jatobá não se acham em qualquer lugar como Banana ou Laranja, ter acesso a estas matérias-primas exige um pouco de suor. “É um verdadeiro trabalho de formiguinha”, afirma Darli.Conforme a empresária, a busca se dá junto a pequenos produtores, que para fornecer as frutos, muitas vezes, precisam de formação por meio de oficinas desenvolvidas pela própria química.


Picolé de Laranjinha-de-Pacu. (Foto: Deivid Correia)

Típicos do cerrado, as frutas tem aparência seca. (Foto: Deivid Correia)


De acordo com Darli, a Mangaba é um exemplo de fruta que está praticamente em extinção, mas foi localizada uma pequena produção na cidade de Anastácio, distante 136 quilômetros de Campo Grande. O picolé de Araticum não é fornecido desde o ano passado pelo estabelecimento por não a haver fornecedor. “É uma fruta que fica muito dentro da mata e se demorar para colher, é comida pelos lobinhos, já que é muito aromática”, explica. A sazonalidade também acaba sendo um desafio para a produção, já que há anos que as frutas nascem em maior ou menor quantidade.


Picolé de Laranjinha-de-Pacu. (Foto: Deivid Correia)

 Fruto facilmente encontrado, Jacá tem sabor adocicado no palito. (Foto: Deivid Correia)


Mesmo com os desafios da produção, o estabelecimento possui capacidade para produzir 1500 picolés diariamente. Os produtos são feitas no próprio local. 


Laranjinha-de-Pacu


Batizada desta forma por ser utilizada na região da fronteira como isca para pescar Pacu, a Laranjinha-de-pacu ou moranguinha-de-pacu é um dos sabores exclusivos dos picolés do mato. Com sabor azedo, porém agradável, semelhante ao Tamarindo, a fruta é mais consistente e é rica em Vitamina C, responsável por aumentar a imunidade e diminuir o estresse.


Picolé de Laranjinha-de-Pacu. (Foto: Deivid Correia)

  Sabores como Araticum tiveram que ser abolidos do cardápio por dificuldade em encontra a matéria-prima. (Foto: Deivid Correia)


Clientes desde o inicio do negócio, os técnicos, Wilson Castro de Sá, 56 anos, e Evandro Rodrigues de Oliveira, 32 anos, se arriscam cada vez em um sabor diferente. Tamarindo e Guavira estão entre os sabores referidos. “O gosto é muito mais natural”, afirma Evandro. 


Picolé de Laranjinha-de-Pacu. (Foto: Deivid Correia)

 Entre os sabores preferidos de Wilson, está o picolé de Guavira. (Foto: Deivid Correia)


Para os que mesmo como todos os benefícios, ainda não se arriscam a saborear os frutos do mato, no local também são comercializados sabores tradicionais, além de opções de frutas típicas do norte do país, como Açaí, Cupuaçu e Cajá. Os preços variam de R$ 1,50 a R$ 2 dependendo do sabor. O Picolé Frutos do Mato fica na rua Ouro Verde, 1048, bairro Jockey Club.

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