O olhar carente inerente a qualquer cãozinho acaba ganhando ares de tristeza nos abandonados. Numerosos nas ruas de Campo Grande, os cachorros sem lar acabam ficando a mercê de bondade de voluntários que, apesar das dificuldades, dedicam tempo e dinheiro na tentativa de dar melhores condições de vida a estes animais. Como, diferente do coração, os custos possuem limites, a maioria das entidades passam por dificuldades e até se envidam para dar conta de ajudar os fiéis amigos do homem.
Com 70 cães atualmente sob seu cuidado, a Associação Sueli Craveiro, ONG (Organização Não Governamental) Cão Feliz é uma das que possuem grandes sonhos, mas asas limitadas para o voo. Neste mês, uma rifa está sendo realizada na tentativa de saldar uma dívida de quase R$ 10 mil adquirida com clínicas veterinárias. De acordo com a presidente da entidade, Kelly Macedo, como o foco é acolher cachorros debilitados o custo é ainda maior junto às clínicas veterinárias. “O nosso objetivo é tratar, principalmente, de atropelados, porque são animais que quase ninguém quer adotar”, explica.
Medicamentos caros e cirurgias complexas são o que, geralmente, exigem o diagnóstico destes cães. Apesar de contar com clínicas parceiras, que realizam os procedimentos veterinários por menores preços, os custos continuam sendo elevados. “Nesta semana, tivemos um caso em que o cão precisou colocar uma placa cirúrgica, o veterinário fez um preço companheiro de R$800 reais na placa, mais diária e anestesia. Se fosse pagar tudo custariam R$2 mil reais”, calcula a presidente.
Criada há um ano e meio, a Cão Feliz mantém um funcionário fixo e o espaço que abriga os cães que aguardam por adoção. As despesas referentes a estes serviços ficam entre R$ 4.000 e R$ 4.500 mensais, que são custeadas exclusivamente por doações. A manutenção de sede para os animais faz da entidade uma das únicas da Capital que realizam o acolhimento em local exclusivo até a adoção.
Além da doação direta, a entidade tem de criar outros mecanizamos para estimular a solidariedade com os animais, como bazares, bingos e rifas e eventos promocionais. Neste mês, a ONG está realizando uma rifa no valor de R$ 10 em que, além de ajudar, os participantes concorrem a um tablet, uma piscina de 21 mil litros, um jogo com duas xícaras para café, uma bolsa, um réchaud de porcelana e cinco banhos na clínica Pet Club. O sorteio acontece no dia 14.

O Abrigo dos Bichos recolhe também gatos. Estes são filhotes que procuram por dono. (Foto: Divulgação)
Mas preocupação e cuidado com os animais não é exclusividade da Cão Feliz. Com 12 anos de existência, a ONG Abrigo dos Bichos é a veterana no acolhimento de cães e gatos em Campo Grande. O seu trabalho já foi reconhecido por meio do diploma “Honra ao Mérito” concedido pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul, em 2011, pelos serviços prestados ao desenvolvimento da medicina veterinária no estado. Além do Prêmio Destaque Ambiental concedido pela Comissão do Meio Ambiente da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil), em 2012.
Apesar de não possuir área de acolhimento, a entidade resgata animais atropelados ou com outros problemas de saúde, que são encaminhados para clínicas veterinárias parceiras e, após alta, levados para adoção ou lares temporários. Os custos também dependem de doações e eventos promocionais. Uma das principais iniciativas da entidade é a Feira de Adoção, em que os voluntários da ONG se reúnem para encontrar lares para os animais. A próxima está prevista para ocorrer no dia 8 de junho, na avenida Afonso Pena ao lado da cidade do Natal.
E o governo?
Para a presidente da Cão Feliz, uma alternativa para facilitar a autossuficiência das ONGs e evitar o abandono de animais com problemas de saúde é a criação de uma unidade veterinária pública. “Um hospital público atenderia a demanda de cachorros de rua e de animais de famílias menos favorecidas”, afirma. Em julho de 2012, o ex-prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) chegou a anunciar a criação de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Veterinária, mas apesar de ter uma planta, o projeto não saiu do papel. Se construída, a unidade seria a primeira do tipo no país.







