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quarta, 30 de setembro de 2020
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Três amigos e um ideal: jovens criam projeto de stand-up comedy especial para Campo Grande

"A linha entre a piada e a ofensa é muito tênue, mas às vezes a ofensa não depende da piada, depende da pessoa", reforça um dos integrantes

12 maio 2019 - 18h10Por Nathalia Pelzl

Fazendo humor em busca de reconhecimento e amor pela arte, ainda tendo como ‘pagamento’ alimentos não perecíveis que serão doados para alguma instituição de caridade, assim o grupo de humoristas ‘Negligentes’ se lança em Campo Grande. 

Formado pelo dançarino Kleyton Willyans, de 30 anos, o estudante de Direito Willian King, de 22 anos, e o funcionário público Thales Vieira, de 31 anos,  o grupo já tem dois bares como parceiros.

Questionados sobre a falta de verba para o projeto, Kleyton e Willian contaram que o objetivo agora é difundir a ideia e apresentar o que significa stand-up comedy.

(Foto: Wesley Ortiz)

“Ainda hoje é um grupo mais restrito de pessoas que conhece e acompanha esse tipo de trabalho. É uma arte feita de cara limpa, por exemplo, a gente não tem personagem, não trabalha com roupa, não tem roteirista. A gente faz o nosso texto, apresenta de cara limpa, não precisa de estrutura grande para apresentar nosso trabalho, a gente precisa de uma caixa de som, um microfone e uma plateia interessada", revela o estudante de Direito.

"A gente está fazendo porque gosta. A gente ainda não pensou na questão financeira por ser algo que a galera ainda não está acostumada e não conhece. Eu cheguei em Campo Grande faz três anos e trouxe uma vertente de dança que a galera não conhecia muito, então, nas primeiras vezes que eu desenvolvi meu trabalho, foi sem remuneração, aí conforme eu fui criando a demanda, aconteceu a questão financeira. Hoje, tenho um público interessante de dança desse mercado que eu exploro, acredito que com o stand-up vai seguir a mesma linha. Por que a gente não pode ser também um polo de comediantes? Já somos um polo muito bacana de cantores e compositores sertanejo. Então podemos proporcionar para o Brasil a comédia, Campo Grande é muito rica. São várias situações, vários lugares e muitas pessoas" pondera Kleyton.

(Foto: Wesley Ortiz)

Apesar de ser uma arte difícil, os meninos estão confiantes e acreditam que a iniciativa pode inspirar outras pessoas. Além disso, a ambição é agradar o público também na internet.

"As pessoas curtem um bom trabalho, então acreditamos que se os comediantes começarem a mostrar seus trabalhos, chamar atenção da população, talvez a gente consiga fazer dar certo. Como é um trabalho de mostrar para as pessoas, a gente faz sem fins lucrativos. A gente pensa agora é colher os frutos da arte, que é o reconhecimento e divertir as pessoas",  explica Willian.

"Nós queremos expandir, pois vemos que é um mercado muito grande e tem potencial enorme. Além disso, temos outros projetos paralelos, como a criação de roteiros para internet, algo que eu já fazia em São Paulo. A gente quer criar scat comics para o YouTube”, revela Kleyton.

Apresentações

Como estão em trio, cada um tem dez minutos para fazer sua apresentação e encantar a plateia, abordando temas rotineiros e situações do dia a dia das pessoas. Os meninos revelam que, para não ficar apenas na fala deles, optaram por escolher um veículo de comunicação para comentar notícias da cidade e do Estado com aquela pitada de humor.

“Nós estamos agora com um quadro que comentamos notícias que acontecem aqui na cidade e no Estado, com um tom de humor para as pessoas. O Kleyton chegou pra mim e questionou qual o meio de comunicação que levaríamos a informação, então nós escolhemos o TopMídiaNews porque ele tem notícias que são engraçadas, com comentários e criatividade para a pessoa clicar e ver a notícia. Gostamos dessa vertente de trabalhar com o cômico, além de ser um canal muito informativo, não ser somente notícias regionais e sim do Brasil todo”, diz Willian.

Composição das piadas

O humor dialoga com várias classes e os mais variados públicos. Charges, paródias e outros objetos do humor não podem ser interpretados como verdades absolutas. O humor tem o seu lado crítico, e a missão de fazer pensar. Sobre situações e como lidam com o público, o estudante de Direito revela que o importante é sempre o bom senso.

“A linha entre a piada e a ofensa é muito tênue, mas às vezes a ofensa não depende da piada, depende da pessoa. Por exemplo, posso fazer uma piada sobre determinado grupo social, como obesos, e uma pessoa obesa se sinta ofendida, outra já não. Então, vai muito de como cada um encara esse tipo de situação. A gente tem que observar nossa plateia, o espaço, se tem crianças. Então, quem manda na piada é o público. O que não pode deixar de existir é o bom senso, sendo a guia do humorista.

(Foto: Wesley Ortiz)

Ambição do  grupo

A ambição deles é movimentar também o teatro, já que para eles o ramo ainda é 'elitista'. Os comediantes acreditam que é preciso transformar alguns pontos e melhorar a cultura na cidade.

“A estrutura cultural aqui de Campo Grande, prefeitura e estado, não investem na situação de tirar o cara da rua, de ter o que fazer ou ocupar a mente. Recente gastamos mais de R$ 230 milhões no Aquário e o que ele trouxe de volta para o povo de Campo Grande? Absolutamente nada, não interferiu na cultura, na arte e no lazer do campo-grandense de maneira nenhuma, nem injetou dinheiro na economia, igual foi pregado no começo”, ressalta Willian.

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