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Ícone em MS, Roberto Higa é destaque no dia nacional do fotógrafo

Fotojornalismo

8 JAN 2014
Renan Gonzaga
06h00min
Roberto Higa exibe imagens feitas pelo Estado. Foto: Renan Gonzaga

Aos 62 anos, Roberto Higa é um dos maiores fotógrafos de Mato Grosso do Sul. A grandiosidade das suas imagens está registrada através de fatos que revelam praticamente toda história da região, muito antes da divisão do Estado. Por isso, suas fotografias possuem um valor histórico imenso para cultura sul-mato-grossense.


Desde o começo da carreira, Higa fotografou momentos importantes na história do país, como a construção da transamazônica. “Eu trabalhei na estrada Cuiabá-Santarém, em 1970, e naquela época a gente comia muito ensopado de macaco, muito tracajá”, relembra.


Nos últimos dez anos o fotógrafo vem lutando contra doenças como colesterol alto e alzheimer. E para curar a falta de memória, a terapia favorita é catalogar sua coleção de fotos em álbuns nas redes sociais. “O Facebook foi o melhor remédio que eu pude ter, porque eu comecei a escrever a respeito das fotografias e a legendar meu trabalho de 46 anos. De 35 remédios hoje eu tomo 13”, afirma.


Foto: Renan Gonzaga


Marca registrada, sua trança e barba, foi um visual criado estrategicamente no ano de 1977, durante um trabalho na campanha política de Pedro Pedrossian. “Eu pesava 40 quilos e meu cabelo batia para baixo da cintura. Quando terminou o comício a gente foi para um baile. Eu estava sentado e vi um cara de chapéu, bota e bombacha que toda hora passava com um copo de cerveja na mão e me cumprimentava”, relata.


Depois de várias garrafas o homem chegou em Roberto, bateu em suas costas e o convidou para bailar. Prontamente, Higa respondeu: “Amigo, a gente pode até sair para dançar, mas vai ficar chato demais”. Sob efeito do álcool, o homem ainda sem entender a situação, colocou o fotógrafo sentado em uma cadeira e disparou: “Não dança comigo, mas também não dança com mais ninguém aqui”.


Então um dos seguranças deu uma porrada no peito do cara. Ele caiu, levantou e saiu correndo. Depois de um tempo ele voltou com mais oito pessoas, todas armadas. O único cara que não se machucou fui eu porque saí pela janela do banheiro. Aí comecei a usar a barbicha e a trança, para não ser confundido com mulher. Pelo menos a encheção de saco diminuiu”, brinca.


Sua paixão é o fotojornalismo, e com 46 anos de carreira, coleciona atuações nos principais veículos estaduais e nacionais, como o Diário da Serra, Jornal da Manhã, Correio do Estado, Correio Brasiliense, O Estado de São Paulo, e nas revistas Caras, Folha de Goiás, Diário da Tarde, Revista Placar, Revista Veja e Quem Acontece.


Roberto e esposa Sandra posam ao lado da coleção de orquídeas da família. Foto: Renan Gonzaga


Eu aprendi com o fotojornalismo que o leitor tem que ver primeiramente a imagem, é o que chama atenção. Depois o cara vai ver o que diz a manchete. O que tem que impactar é a fotografia”.


Na busca pela foto perfeita, ainda jovem, Roberto foi fotografar um atropelamento perto da fábrica da Coca Cola, região conhecida na época como saída para São Paulo. No acidente, a vítima fatal, que era uma mulher, teve sua perna separada do resto do corpo.

 

Chegamos lá antes da polícia e vimos aquela cena. Eu desci a ribanceira da estrada, peguei a perna da mulher que estava com o sapato ainda e vim puxando até perto do carro. Com o tempo chuvoso o flash não funcionou porque molhou a bateria, então eu peguei o carro do motorista que estava lá esperando a polícia e coloquei de fundo para fazer a fotografia contra luz e dar aquele clima mais trágico”, confessa.


Após mudar todo o cenário do acidente e ter sua fotografia publicada no jornal, nem imaginava o que estava por vir. “No outro dia a Polícia Federal mandou recolher todos os jornais. Fomos eu, o diretor do jornal, o chefe de redação e todo mundo para a polícia. Nunca mais eu fiz qualquer coisa do tipo”, concluiu Higa.


Por conta do talento e sensibilidade para contar suas histórias através de imagens, é difícil separar a vida de Roberto dos principais momentos de Mato Grosso do Sul. “As pessoas falam que graças ao meu trabalho a evolução do Estado é lembrada pela cidade. E essa é a única satisfação que eu tenho, para mim é o maior prazer contar minhas histórias para nova geração”, finaliza.

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