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Crianças que presenciam episódios de violência carregam trauma na alma, aponta profissional

Em Costa Rica, duas crianças presenciaram crimes brutais dentro de casa

07 junho 2020 - 13h30Por Nathalia Pelzl

Em Mato Grosso do Sul, no município de Costa Rica, crianças presenciaram crimes de feminicídio, homicídio e suicídio no mês de maio. Em uma das cenas, uma menina de 3 anos deitou sobre o corpo ensanguentado da mãe, vítima de feminicídio.

A violência, sob todas as formas, pode causar graves prejuízos no desenvolvimento infantil, com repercussões de longo prazo. Para a psicóloga Raissa Milan, é essencial entender suas ramificações de traumas, para preveni-lo, detectá-lo e, em última análise, eliminá-lo em todas suas formas.

“Todo tipo de violência pode gerar um trauma psicológico, as crianças se encontram em fase de desenvolvimento emocional, não possuem recursos de enfrentamento psíquicos estruturados para lidar com situações externas de alto nível de estresse.
É muito importante ressaltar que não somente as crianças necessitam de cuidados, pois assim com ela, a família toda adoece, a avó que perdeu a filha, os irmãos que vivenciaram. Todos estão envolvidos”, esclarece.

Ainda segundo a profissional, por não possuir uma maneira precisa de expressar a linguagem da fala, crianças vítimas de violência doméstica são expostas a todo momento.

“Por exemplo, um episódio de violência doméstica o nível de estresse é muito alto, a criança não tem recursos internos maduros suficientes para poder elaborar o que ela vivenciou gerando o que chamamos de trauma emocional”, explica.

“A criança, por ela não ter a linguagem da fala desenvolvida, não tem maturidade de se expressar através do diálogo, então ela apresenta sintomas, comportamentais. A criança ela está desenvolvendo a personalidade dela, essa personalidade vai desenvolver de acordo com o que ela está sendo exposta. Criança aprende se espelhando no meio que está inserida”

Para Raissa, esses traumas podem impactar de diversas formas, desde o desenvolvimento físico como, perda de peso por recusa alimentar, alteração de sono, regressão no desenvolvimento fisiológico e também no desenvolvimento emocional.

“A criança pode ficar mais agressiva, ter baixo rendimento escolar, começar a se isolar, apresentar choros fáceis e sem motivo aparente. Esse comportamento pode durar até a adolescente ou até mesmo a vida adulta, depende de como foi tratada na infância. Se teve ajuda profissional, se os familiares souberem lidar. Pode se envolver em transtornos graves, como ansiedade, fobia social, depressão”, esclarece.

Por isso, na visão da profissional, é preciso que, além da criança, todos os envolvidos passem por acompanhamento desde o início.

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