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Curso transforma passado amargo em perspectiva de um futuro Mais que Doce

Capacitação oportunizou a formação em técnicas de confeitaria básica a mulheres vítimas de violência doméstica e egressas do sistema prisional

29 AGO 2019
Da redação/TJMS
17h50min
Foto: Reprodução/TJMS

Em um ato tomado pelo clima de emoção, 14 mulheres receberam, na manhã desta quinta-feira (29), no Senac Turismo e Gastronomia, o certificado de conclusão do Curso Básico de Confeitaria – Mais que Doce, uma parceria do Tribunal de Justiça com o Serviço Nacional de Aprendizagem (Senac/MS) e o Ministério Público do Trabalho de MS. A capacitação oportunizou o aprendizado e formação em técnicas de confeitaria básica a mulheres vítimas de violência doméstica e a encarceradas e egressas do sistema prisional em Mato Grosso do Sul, possibilitando a reinserção no mercado de trabalho e ao aumento do potencial de empregabilidade das participantes.

Na solenidade, a juíza Jacqueline Machado, coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, ressaltou a felicidade em concluir mais uma ação que visa dar novas oportunidades a mulheres. “As pessoas só conseguem mudar suas vidas se tiverem uma oportunidade e cabe a nós, como sociedade, dar esta oportunidade”, afirmou a magistrada que, se dirigindo às alunas do curso, concluiu: “não podemos mais mudar o passado, mas podemos construir um novo futuro. Vocês têm tudo para construir um novo futuro e eu acredito em vocês”.

De acordo com o presidente da Fecomércio, Edison Araújo, a missão do Senac é educar para o trabalho nas atividades de comércio de bens, serviços e turismo, formando profissionais que o mercado necessita. “Hoje veremos que é possível irmos muito além, podemos oportunizar a construção de sonhos e de novas perspectivas de vida. Sinto-me honrado de poder entregar o certificado a essas mulheres, que com as mãos poderão construir, com delicadeza e harmonia, bolos e confeitos e, assim, reconstruir suas vidas”.

O procurador-chefe da Procuradoria Regional do Trabalho da 24ª Região, Leontino Ferreira de Lima Junior, destacou que esta é uma oportunidade de cumprir a missão constitucional do MPT, que é a promoção de trabalho decente. “Temos certeza que esse curso vai viabilizar melhores condições de vida para todas vocês. Tenho certeza que será uma oportunidade de um trabalho decente e de melhores condições de vida”.

Para a chef Camila Poli, uma das instrutoras da capacitação, o projeto possibilita recuperar a autoestima de mulheres que estão abaladas, algumas de sistema prisional, outras por terem sofrido violência doméstica. “Acho que é o nosso dever, como cidadãos, ajudar essas pessoas que passam por alguma dificuldade para que consigam alcançar o sucesso profissional. Espero que todas consigam conquistar o sonho, da maioria delas, da independência financeira, poder ser dona do próprio negócio”.

A formatura contou ainda com uma apresentação da atriz, escritora e poetiza brasileira Cristiane Sobral que, ao final da sessão solene, interpretou o texto de Roseli Alves dos Santos, participante do curso que se expressou em nome das formandas. “Uma nova era surge diante de nossos olhos, um projeto de restauração, recomeço e superação. Experiências amargas do passado, hoje, nesse momento, tem sido muito mais que doce. Um sonho ao alcance de nossas mãos. (…) Escolhemos ser mais que doces, projeto de restauração que começa a devolver a nossa dignidade, o primeiro passo de um futuro promissor. Obrigada a Deus por nos escolher e escolher pessoas, profissionais valiosos, para essa causa tão nobre e mais que doce. O que outrora era fel, hoje se torna como mel e adoça nossa alma com gratidão”, afirmou Roseli em seu texto.

Saiba mais – O Curso Básico de Confeitaria – Mais que Doce foi ministrado pelo Senac/MS e contou com a participação de 14 mulheres (7 em cárcere ou egressas do sistema prisional e 7 em situação de violência doméstica) selecionadas pelo Tribunal de Justiça.

Com carga horária de 66 horas/aula, a capacitação se estendeu de 5 a 28 de agosto e dentre os temas de sua programação, além do conteúdo prático de confeitaria e comunicação e expressão, teve aulas em que foram abordados os aspectos jurídicos e psicossociais da violência doméstica, ministradas pela juíza Jacqueline Machado e técnicas da Coordenadoria da Mulher do TJMS.

Os custos do projeto Mais que Doce ficaram a cargo do Ministério Público do Trabalho, que inclusive ofereceu bolsa-auxílio para as participantes conseguirem se manter no curso.

O termo de cooperação técnica que possibilitou a realização do curso foi assinada no dia 25 de julho pelo presidente do TJ, Des. Paschoal Carmello Leandro, pela coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar de MS, juíza Jacqueline Machado, pelo diretor regional do Senac/MS, Vitor dos Santos de Mello Junior, e pelo procurador-chefe da Procuradoria Regional do Trabalho da 24ª Região, Leontino Ferreira de Lima Junior.

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