Pode parecer incomum, mas foi na disciplina da igreja e da Força Aérea que Samuca Brasil, 44 anos, se encontrou com o instrumento que seria seu companheiro pelos anos seguintes de sua vida, a bateria. Apaixonado pelo que faz, o baterista e percussionista sempre viveu da música, se aperfeiçoou, e produziu um show em que o instrumento, estigmatizado por alguns vizinhos encrenqueiros, é o protagonista, juntamente com seu parceiro.
Ao tentar resgatar na memória o momento que o instrumento o encantou, Samuca, um carioca de pele morena, pensa durante um bom tempo, até que as memórias de um garoto de 12 anos de idade voltam à mente. Evangélico, foi em um evento da Primeira Igreja Batista, no Rio de Janeiro, que a bateria chamou sua atenção. "Foi em um congresso e tinha uns meninos chamados Embaixadores do Rio que se apresentaram", relembra.
E foi a própria igreja que deu oportunidade para que o baterista tivesse contato com o instrumento. Aos 15 anos, ele passou a tocar regularmente nos cultos."O pessoal ia ser reunir para formar um grupo e sobrou a bateria para mim. Topei", afirma. Na verdade, a opção não foi tão despretensiosa assim. A relação com o conjunto de tambores e pratos é, segundo Samuca, realmente, uma relação de amor.

(Foto: Divilgação/Diogo Gonçalves)
Apesar de ser personagem tardio na história do baterista, Campo Grande foi o lugar onde ele viveu boa parte de sua vida pessoal e profissional. Veio para a capital sul-mato-grossense aos 16 anos. Depois da igreja, a Força Aérea foi o segundo local que permitiu aperfeiçoar seus dotes musicais. "Na Base Aérea eu era da banda de música. Tocava bateria, caixa e corneta. Era bom, porque ali praticava em 100% do expediente", relembra.
A determinação e talento de Samuca permitiram que ele conseguisse um feito não muito comum entre os músicos. Sempre tirou da música seu sustento. "Fui dar aula de batera e tive minha escola, onde ensinava bateria e percussão", explica. O segundo instrumento é reflexo do aperfeiçoamento de técnicas do músico, pois é a categoria que possui a maior variedade de instrumentos. Além disto, ele também toca violão.
A formação acadêmica veio apenas na maturidade musical. Em 2004, Samuca ingressou no curso de Música da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e, não parou por aí. Partiu para a pós-graduação em Cultura Afro-Brasileira pela Faculdades Integradas de Jacarepaguá (FIJ) e, atualmente, cursa técnica em percussão sinfônica pelo Conservatório de Tatuí.
Para mostrar o resultado de todas estas técnicas, o músico criou o show "Bateria Expressiva", em que o instrumenta e ele são os únicos protagonistas no palco. Samuca reconhece que apresentações específicas como esta ainda são novidade para os campo-grandenses, mas vê como uma oportunidade de tirar este estigma negativo que ainda se tem em torno da bateria. "O objetivo do show não é só mostrar o trabalho, mas também motivar as pessoas a conhecer e estudar esse instrumento tão maravilhoso", afirma.
O show conta com os mais variados gêneros musicais como: samba, polca paraguaia, funk, reggae, salsa, afro 6/8, jazz, entre outros, com belos arranjos e solos inusitados a bateria. "Procurei colocar um repertório bem eclético. Acredito que pode existir músico ruim, mas não música ruim. De uma maneira geral, não se pode ter preconceito com estilos", explica sobre as escolhas tão diversificadas. A execução de alguns ritmos, como samba, polca, chamamé e salsa, são acompanhadas por bailarinos que se apresentam durante o show.







