Adepta dos escritos do psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Jung, a arquiteta Luciana Teixeira leva os sonhos mais a sério do que a maioria da população. Os mistérios do inconsciente estão entre uma das inspirações para seus projetos nestes 15 anos de carreira. “O sonho está sempre presente. O foco é ouvir o cliente e tentar traduzir seu sonho na arquitetura”, explica.
A relação de âmbito pessoal com a fantasia acabou sendo o ponta pé inicial para ingressar na profissão. A escolha pela arquitetura surgiu a partir de um destes impulsos do inconsciente. “Eu sonhei que a prancheta voava. Aquela coisa meio quadro dadaísta. Então comecei a ver que como na minha vida os sonhos foram sempre importantes”, relembra.
Unindo o utópico ao concreto, Luciana constitui um estilo único que a cada dia se aperfeiçoa. Optando por trabalhar muitas vezes em parceria, a arquiteta amplia ainda mais a singularidade de seus projetos. A formação concluída na virada do século, de anos de 1999 para 2000, é posta como elemento decisivo para seu estilo. “Tenho um DNA minimalista, mas com o decorrer dos anos fui incorporando referências mais regionais às idéias”, explica.

'Um mergulho sem volta' é como descreve Luciana determinadas decisões na hora de executar um projeto. (Foto:Arquivo/Deivid Correia)
Com a capital ainda em crescimento, Luciana teve de ser uma profissional versátil para encarar desde grandes obras aos detalhes mínimos exigidos no design de móveis. “Eu dou o trabalho por completo na hora que coloco o vasinho de flor em cima da mesa”, explica. Entre suas parceiras, nas pequenas e grandes empreitadas, estão as arquitetas Renata Jallad e Ana Paula Zahran.
ROOOQUEEENROOOUUU e Slow Design - Apesar do mergulho que envolve cada grande projeto, foi o design de mobiliário a opção de Luciana para comemorar seus 15 anos de carreira. Pensando em unir bem-estar e estilo, a arquiteta desenvolveu a poltrona ROOOQUEEENROOOUUU.

Luciana apresenta a poltrona ao arquiteto Ruy Othake, na Casa Cor MS 2014. (Foto: arquivo/Deivid Correia)
O móvel é composto por veludo e possui textura composta por mais de 600 tachas decorativas que a recobrem e lhe dão um ar contemporâneo, evocando os emblemáticos acessórios do visual roqueiro. O desenho procura expressar simbolicamente a imagem do Rock and Roll presente no inconsciente coletivo e expressar um estilo de vida informal e despojado, muito apreciado por roqueiros e afins.

Poltrona possui mais de 600 tachas colocadas manualmente. (Foto: arquivo/Deivid Correia)
A poltrona é uma das criações em que a arquiteta propõe a aplicação do conceito de slow design. “Entre seus princípios está a valorização da mão de obra humana, além de colocar o projeto conceitual como elemento primordial no processo executivo”, explica. O resgate das técnicas de marcenaria e tapeçaria artesanal também norteiam o conceito e são primordiais para a produção de um novo modelo de design inclusivo, que gera oportunidades de negócios e transformação social.







