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De bonecas a high society, a história da estilista Adriana Ojima

Moda

22 JAN 2014
Renan Gonzaga
06h00min
Adriana em seu ateliê. (Foto: Renan Gonzaga)

Desde pequena ela sempre gostou de bonecas, como toda menina com menos de dez anos de idade. Nos aniversários, Natais e Dias das Criança o presente que mais ganhava eram várias edições da brasileira Susi. “No total foram umas 15 bonecas. E na época que eu era menor não havia roupa para vender, era a que vinha e só. Então eu pensava 'como é que eu vou fazer?'”, questionava Adriana.


Como sua mãe tinha uma confecção infantil e sobrava muitos retalhos, ela começou a pegar o material que restava da produção para fazer roupinhas para as Susis. “Eu usava uma técnica que hoje chamamos de moulage, que se constrói direto no manequim. Então eu ia fazendo a roupa nela mesmo. E como eu tinha um monte de bonecas e um monte de tecidos, eu podia me divertir bastante”, afirma a estilista.


Hoje, com 43 anos, explica que na época da sua infância existiam apenas as bonecas Susis para vender, que segundo dela, eram mais condizentes com a realidade, já que as Barbies são magérrimas enquanto a brasileira são mais proporcionais ao corpo de uma mulher comum.


A estilista desenvolveu interesse por modelagem fazendo roupas para suas bonecas Susi. (Foto: Reprodução)


Depois de crescida, fascinada pelo mundo da costura que sua mãe lhe apresentou, resolveu se dedicar profissionalmente à moda. Mas como em Mato Grosso do Sul não havia nenhum curso, então na época de prestar vestibular Adriana escolheu jornalismo, para trabalhar na especialização em jornalismo de moda. “Era a coisa mais próxima que eu tinha em mãos na época”, relata.


Após entrar na primeira turma de jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no fim de década de 80, se deparou com um problema comum nas faculdades públicas, que é a greve. “Depois de mais de 60 dias eu injuriei e não voltei mais. Mesmo porque não haviam revistas de moda aqui no Estado e eu não queria viver escrevendo colunas”, explica.


“Se não fosse a ajuda de minha mãe eu não teria o conhecimento que tenho hoje em termos de modelagem.”


(Foto: Renan Gonzaga)


Depois de desistir do jornalismo, resolveu se juntar com sua mãe e abrir um ateliê onde trabalha desde então. “A parte da modelagem eu aprendi com ela, mas a parte da pesquisa de moda eu estudo desde os meus 13 anos, acompanhando Giorgio Armani e Azzedine Alaia”.


Atualizada, atualmente estuda as tendências de 2015 para oferecer o melhor aos seus clientes. Seu foco é a moda festa, que segundo ela não acompanha tanto as tendências de streetwear. E sua preocupação é fazer com que a mulher esteja bem vestida acima de tudo.


Suas referências são estilistas como Elie Saab e Valentino, que são os mais clássicos internacionais. E no Brasil se espelha apenas em Tufi Duek, por achar a 'moda festa' brasileira padronizada. “Ela vem muito de Minas Gerais e acaba virando tudo um padrão. Então o grande desafio é esse de sair na contra-mão e apresentar um trabalho que tenha um resultado final bom”, ressalta.


(Foto: Renan Gonzaga)

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