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‘Devoradora de livros', jovem realiza sonho e abre biblioteca comunitária

12 dezembro 2015 - 08h17Por Amanda Amaral

Uma biblioteca onde não há multas se o livro demora mais que o prazo estabelecido para ser devolvido, nem ao menos o cancelamento de cadastro caso alguém ‘esqueça’ de retorná-lo às prateleiras. É na base da boa fé ao novo ou habituado leitor que a estudante Maria Ayslane, de 29 anos, decidiu montar o sonho de infância da biblioteca comunitária, onde todos pudessem mergulhar tão profundamente como ela nas mais diversas histórias contadas através das páginas de papel.

A ideia era um plano guardado com carinho, mas há poucas semanas começou a tomar formas de realidade em um lugar pouco provável: nos tatames, enquanto fazia aula de jiu jitsu, durante uma conversa despretensiosa sobre um projeto social desenvolvido por um colega, denominado ‘Guerreiros do Amanhã'. No local onde funciona a organização sem fins lucrativos, uma área desocupada cedida pela prefeitura no bairro Tiradentes, são oferecidas aulas da modalidade de luta à crianças e jovens carentes, sem nenhum custo aos alunos.

As intenções de oferecer ao próximo uma realidade mais positiva se encontraram e, a partir daí, o segundo passo foi unir essas vontades naquele mesmo espaço. “O meu amigo que me apresentou o projeto e que conseguiu a licença pra executá-lo é o Rafael Pinheiro, mas existem outros amigos envolvidos que dão aulas voluntariamente. A gente entendeu que seria muito bem-vinda a biblioteca ali, mesmo que improvisada, e começamos a pensar no melhor jeito dela funcionar”, conta Maria.

Logo, ela decidiu pedir doações de livros através das redes sociais e, em cerca de uma semana, conseguiu mais de cem exemplares, que lotaram seu ‘quarto da leitura’, o recanto particular onde está reunido todo o acervo pessoal de obras literárias.

“Foi incrível, as pessoas têm sido muito generosas. Entre as coisas recebidas há de tudo, desde Machado de Assis a livros que tratam sobre a diversidade de inclusão, quase todos em muito bom estado”, diz, contente, a estudante de filosofia. Por enquanto, os exemplares passam por um processo de reparos e catalogação, para melhorar a experiência de quem for visitar a biblioteca, que deve estar disponível em breve, já que ainda está em fase de pequenos ajustes estruturais pensados por Maria e seu namorado, que é arquiteto.

O nome escolhido para o projeto, ‘Acervo José Antunes’, é uma homenagem ao pai, que faleceu há pouco mais de um ano e foi um grande incentivador da paixão da filha pela leitura. “Ele ficava muito orgulhoso de me ver, bem criança, lendo aquele tanto de gibi. Nossa relação era bastante forte e quis que ele estivesse, de alguma maneira, junto comigo na realização desse sonho”, emociona-se ao relembrar.

A todo instante, a alegria de poder compartilhar a sua afeição pelas palavras é evidente. Já há alguns anos, ela também está envolvida com outro projeto, o ‘Troca-troca de Livros’, idealizado pela amiga Liana Weber, onde pessoas se reúnem para realizar uma espécie de intercâmbio do que já leram e decidiram se desapegar, que terá a próxima edição realizada em 2016.  

Não haverá nenhuma restrição para quem quiser pegar um livro emprestado na biblioteca comunitária, sendo necessário apenas um cadastro simples. Ser aluno do projeto de aulas de jiu jistu não é um pré-requisito. O Projeto Guerreiros do Amanhã, que abriga o Acervo José Antunes, fica na Rua Romeu Alves Câmara, nº 73, no bairro Tiradentes, em Campo Grande.

Para dinamizar a coleta das doações, as mesmas podem ser feitas em três pontos diferentes da cidade. Os locais são a lanchonete Massas Capivara, que fica na Rua 13 de Julho, ao lado do Supermercado Comper São Francisco;  na Subcultura Records, Rua Dom Aquino, nº 694, na antiga rodoviária; e na loja Hope, Rua Antônio Maria Coelho nº 1290, Centro.

Quem quiser também pode entrar em contato com o projeto através da página de Facebook e combinar outra maneira de entregar os livros.