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domingo, 27 de setembro de 2020
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Dia dos Pais: ‘Ramão véio’ é lenda viva na família Santa Cruz

Com quase um século de vida, ele inspirou toda a família, apesar de tantas dificuldades

09 agosto 2020 - 18h10Por Rayani Santa Cruz

Ramão Ferreira Santa Cruz nasceu em 10 de julho de 1938 e, com quase um século de vida, tem muitas histórias para contar. O "Ramão véio", como por vezes é chamado entre os cinco filhos e pelos 12 netos (inclusive eu que vos escrevo) é lembrado por diversos ensinamentos neste Dia dos Pais.

Com 82 anos, o patriarca da família Santa Cruz nasceu na cidade dos dinossauros: Nioaque, e lá ouviu muitas histórias reais sobre a guerra do Brasil contra o Paraguai e da primeira invasão da cidade pertencente ao Mato Grosso do Sul, em 1864, após soldados brasileiros terem adentrado ao Uruguai. “O rio Nioaque ficou vários dias vermelho por conta do derramamento de sangue. Na época de criança, a gente tinha um pouco de medo dos fantasma dos caboclos”, contava.

Ramão é um dos filhos de Elizeu Santa Cruz e Matilde Ferreira. Ele teve diversas aventuras (boas e ruins) em trabalhos como carpinteiro em fazendas do Pantanal, por isso ficava meses afastado. Foi em Nioaque que ele formou família, casando-se com Maria Iva França Santa Cruz, de 82 anos. Maria foi ponto-chave na criação dos filhos, que cresceram com valores relembrados diariamente e repassados a cada nascimento. 

Eles criaram seis filhos: Elouza Matilde França Santa Cruz, 58 anos; Palmiro Santa Cruz, 55 anos; Paulo Cesar Santa Cruz (falecido); Edson Santa Cruz, 49 anos; Carmem Auxiliadora França Santa Cruz, 50 anos, e Joemerson França Santa Cruz, 44 anos. Atualmente são 12 netos e quatro bisnetos.

Neste Dia dos Pais, separamos as memórias que mais marcaram cada um dos filhos do ‘Ramão véio’ (meus tios e meu pai) como uma forma de homenageá-lo e agradecer. 

Magia do Natal

Elouza é a mais velha e conta sobre a mágica do Natal, instaurada pelo pai, mesmo que eles não tivessem tantas condições. “Por mais que tenha sido um pouco ausente, o Natal era muito importante. E ele sempre dizia que haveria a chegada do Papai Noel, mesmo na crise, ele cativava isso. Dava brinquedos pros meninos e pra nós. Eu acho muito importante e muito feliz essa recordação. Sempre que ele chegava das fazendas, dava as moedas pra cada um; aí saía todo mundo correndo para o bolicho do seu ‘Zé’ e comprava os doces e sacos de balas. Eu sou a bugra dele, ele sempre fala”, conta.

(Elouza, Ramão e Carminha. Foto: Arquivo Pessoal)

Cantor

Ramão sempre foi contador de histórias e aprendeu a tocar violão com o pai. Amante do sertanejo raiz, também arriscava tocar polcas paraguaias e chamamé. “Minha mãe conta que ele tocava e ela dançava. Ele sempre gostou”, continua Elouza.

“Quem não se vira é caju”

Carmem indica uma das frases sempre ditas, que foi essencial na transformação dos filhos. “Ele sempre usou a frase muito simples pra gente que é: ‘quem não se vira é caju, que nasceu de cabeça pra baixo e está pendurado’. Ou seja, ele fez com que a gente fosse independente, que buscasse resolver as coisas sozinhos e criou filhos e filhas independentes e empreendedores. Isso é um aprendizado que eu tive com ele e respeito muito. Ele criou pessoas pra se virarem e fazerem o que precisa ser feito. É um legado que ele deixou”, conta Carminha.


(Vô Ramão, neto Gustavo e filha Carminha. Foto: Arquivo Pessoal)

Futebol

Para Joemerson, o caçula entre os irmãos, o momento mais marcante foi levar um gol do pai, que jogava num time contrário em uma partida. “Um dia, eu o levei pra assistir um jogo. E no time que íamos jogar contra faltava um jogador. Ele quis jogar e arrumou uma chuteira. Como era mais de idade, ficou na frente e o pessoal não passava muito a bola. Estávamos empatados e, no final, um deles chutou e bateu na trave, mas no rebote meu pai acertou de primeira e fez um gol em mim. Perdemos! Kkkk”, citou aos risos. Jô diz que aprendeu a ser um pai melhor para seus filhos com Ramão. 

(Ramão jogava bola com os filhos em frente de casa, no chão de terra. Foto: Reprodução Facebook)

Tirar mel de abelha e pescaria

Edson conta que, quando tinha 7 anos, o pai o levou para tirar mel de abelha com os irmãos Palmiro e Paulo César. Mas não deu muito certo. “Chegamos na fazenda, colocamos fogo na madeira onde as abelhas tinham casa e tentamos tirar o mel. Nós ficamos escondidos um em cada canto e, de repente, vi todos correndo com o enxame. Eu corri também, quando vi, meu pai era o último. Foi muito engraçado porque ele dizia que ia ensinar a gente a tirar o mel, e deu tudo errado”. 

(Edson tem muitas histórias engraçadas com o pai. Foto: Reprodução Facebook)

Em uma das pescarias, Palmiro explica que o pai levou todos pra região do Cachoeirão. E, depois de pescar e fritar o peixe, tiveram um susto. “A gente estava comendo e ouviu um barulho. O meu pai mandou a gente subir na árvore, e passamos a noite lá achando que era uma onça. No outro dia, vimos que era um cachorro bem grande”. 

“Santa Cruz é superior ao tempo”. Obrigada vô!

Minha infância com meu avô foi sensacional. As frases sempre eram motivadoras, apesar do jeito rústico e, lógico, até repreendendo quando necessário. Essa coisa dele dizer que os ‘Santa Cruz’ eram superiores ao tempo sempre surgia quando a gente reclamava de algo como calor, frio, quando não conseguia subir em uma árvore ou andar de bicicleta ele tentava motivar do jeito dele. Obrigada, vô! E continue forte, Rãmão véio. 

(Palmiro e o pai Ramão comemorando aniversário de 1 ano da primeira filha e neta respectivamente. Foto: Arquivo Pessoal)

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