O Dia dos Professores, comemorado nesta terça-feira (15), ganha um significado especial nas comunidades tradicionais de Mato Grosso do Sul. Para educadores quilombolas, ensinar vai muito além da transmissão de conteúdos: é uma forma de preservar histórias, fortalecer identidades e resistir culturalmente.
Para Adriana Rodrigues de Souza Lopes Lima, diretora da escola EE Antônio Delfino Pereira na comunidade quilombola Tia Eva, o papel do educador é fazer com que os estudantes se sintam representados, valorizem suas raízes e compreendam a importância de lutar por sua identidade. “Nós buscamos desenvolver projetos que articulam o currículo escolar às propostas da comunidade, trazendo membros locais e externos para trabalhar a história e a realidade da comunidade”, explica.
Apesar do esforço, os desafios ainda são grandes. Adriana aponta a falta de uma legislação estadual que garanta políticas públicas de valorização dos professores e membros das comunidades, além da necessidade de maior representatividade nas escolas. “O professor deve ser homenageado todos os dias. Mas hoje, mais do que homenageado, deve ser defendido por todos. Ser professor é inspirar, orientar e preparar os jovens para enfrentar desafios e lutar por melhores condições de vida”, afirma.

(Foto: Minamar Junior/Ascom)
A professora do colégio Ivani Ferminiano reforça a dimensão simbólica do ensino em comunidades tradicionais. “Ensinar na comunidade é honrar minhas raízes e retribuir o conhecimento que me foi confiado. É plantar sementes de esperança e ver florescer orgulho, sorrisos, identidade e pertencimento”, relata. Ela ressalta que, apesar do preconceito e da invisibilidade de algumas pautas, a valorização que vem da própria comunidade fortalece e dá sentido ao trabalho pedagógico.
Para Ivani, o ensino quilombola é também um instrumento de resistência. “Aqui, os alunos aprendem que suas histórias, modos de viver e sua cultura têm valor e lugar no mundo”, afirma. E acrescenta: “O Dia dos Professores é um momento de celebração, mas também de reafirmar nosso compromisso com uma educação libertadora, com o empoderamento das nossas crianças e com a preservação de nossa história”.







