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Surgidas no Orkut, amizades virtuais criam laços tão fortes quanto família

Da rede para a vida real

14 JAN 2014
Renan Gonzaga
06h00min
Amizade virtual, como a de Gustavo e Vander, se tornou real e hoje tem laços tão fortes quanto relação familiar. Foto: Arquivo pessoal

Uma das características da geração Z, também chamada de geração da internet, que é aquela que nasceu e cresceu em uma época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica, é a capacidade de estabelecer relações virtuais com a mesma intensidade que as reais.


O assessor parlamentar Gustavo Henrique Vieira, de 20 anos, é um exemplo de quando a amizade virtual se torna real. No ano de 2005 ele conheceu, através do falecido Orkut, o professor Vander Narcizo que morava em Dourados, no interior do Estado.


De Campo Grande, o jovem começou a conversar com Vander e então os dois estabeleceram uma relação de amizade que já dura oito anos. “Ele me adicionou e eu aceitei”, comenta Gustavo que gostava de ler os textos reflexivos que o professor postava em comunidades no site de relacionamentos.

 

Os amigos Gustavo e Vander durante uma das várias comemorações que já tiveram. Foto: Arquivo pessoal


Não demorou muito e os dois se encontraram ao vivo pela primeira vez, durante uma viagem que o pai do assessor fez à Douradina, cidade vizinha de Dourados. E, apesar da vergonha do primeiro encontro, a conversa fluiu muito bem.


Cumprimentei normal, aí começamos a conversar e ele me chamou para visitar a casa dele. Fomos em um evento em uma chácara logo no outro dia. Sempre muito hospitaleiro, começou ali uma amizade verdadeira, que eu vou levar sempre em minha vida”, afirma o assessor.


Apesar da diferença de idade de 15 anos entre os dois, o jovem releva que a fraternidade atingiu níveis que ele nunca imaginou, principalmente por ter virado amigo de irmãos de Vander, parentes, políticos e muitas outras pessoas da cidade.


E as histórias vividas já são várias. Gustavo recorda de uma de suas viagens para Dourados, onde os dois e mais um amigo de Campo Grande foram fazer compras no Uno Mille de Vander. Voltando do Atacadão o porta-malas do carro abriu na estrada e quase todos os objetos caíram no chão. “Começamos a dar muita risada”, diz o assessor.


"Conheci e virei amigos de pessoas em Douradina atráves da família dele", relata Gustavo. Foto: Arquivo pessoal


Uma pesquisa realizada entre jovens que participam da comunidade digital Habbo revelou que a geração Z se identifica mais com os amigos que conheceram através de relações on-line, em redes sociais como o Facebook, do que com vizinhos de bairro ou qualquer turma offline.


O estudo foi baseado em uma pesquisa feita com 4,299 mil jovens do Reino Unido, Espanha e Japão e aponta que os laços estabelecidos pela internet são tão fortes quanto as ligações familiares dos entrevistados. E, apesar da análise ser realizada no exterior, é uma realidade que pode ser aplicada em Campo Grande.


A universitária Karimy Aquino, de 19 anos, possui um amigo virtual há seis anos, e mesmo com todo esse tempo, ainda não se conheceram pessoalmente. “Foi na época do Orkut, através da comunidade chamada 'Eu Amo Sertanejo'”, relata a jovem campo-grandense sobre o começo de tudo.


Segundo ela, a identificação surgiu de início. “Começamos a conversar, foi como se fossemos amigos há muito tempo. Ele me dava vários conselhos também. Agradeço por te-lo como amigo, pois mesmo distante, quando precisei sempre esteve comigo”, completa.


Redes sociais são vistas como contextos cruciais para a identificação dos jovens de hoje. Foto: Renan Gonzaga


Esse tipo de relação é bastante comum na internet, quando as pessoas começam a criar uma intimidade com aquele que está do outro lado do computador. Nem todos tem a sorte de Gustavo e Vander, mas se depender de Karimy, eles vão se conhecer em breve. “Acreditamos que esse dia esta para chegar”, finaliza a universitária.

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