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há 11 anos

Aos 88 anos, Dona Arminda luta para manter vivas culinária e tradições de Páscoa há gerações

Diretamente do Paraguai

Depois de comer muita chipa e sopa paraguaia desde sexta-feira, a família sul-mato-grossense ainda tem que se preparar para a refeição principal da Semana Santa: o almoço de domingo de Páscoa. Data em que todos se reúnem em volta de uma mesa farta para celebrar a tradição e a ressurreição de Jesus Cristo.


É assim que acontece todo ano, seja na Capital ou no interior, em um costume que mistura religiosidade com culinária, passada de geração em geração. A lembrança é nítida na cabeça de dona Arminda Cano Barbosa, de 88 anos, que mora atualmente na cidade de Aquidauana, a 130 quilômetros da Capital. “Eu nasci e me criei no Paraguai, na cidade de Conceição, esses custumes ainda são fortes por lá. Lembro quando começava a quaresma, na quarta e a na sexta-feira a gente já não comia a carne. Era a vigília. ", relembra.


(Imagem: Carlos Guessy)

Almoço preparado por Dona Arminda com ajuda da filha Sarah. (Imagem: Carlos Guessy)


Mas antes, no primeiro dia da semana, a tradição de preparar uma mesa farta se misturava com os costumes que deviam ser respeitados por todos na família de descendentes paraguaios. “Na segunda-feira a gente já não brincava, não podia correr, tinha que rezar. Na quinta-feira da Paixão minha mãe fazia um almoço e a noite a gente jejuava um pouco.”


“Na sexta-feira, antes de sair o sol, minha mãe tomava o seu mate, jogava água no fogo e lá pelas 9h da manhã que a gente comia um pedaço de sopa ou chipa. Só a noite que podia comer outra vez”, conta a aposentada. Outro costume da época era sair cantando músicas religiosas e rezando durante a noite, em um ato de penitência chamado “promisseiro”.


(Imagem: Carlos Guessy)

Chipa, principal iguaria da culinária regional. (Imagem: Reprodução/Internet)


O tempo passou, Dona Arminda cresceu, casou-se, teve três filhas e fez questão de manter a tradição viva. “Mas elas [suas filhas] já não fazem mais essas coisas todas porque os tempos começaram a mudar. Um ou outro costume que elas preservam. Aqui em casa, a Sarah não come carne na quarta e na sexta-feira”, relata.


Ela também se lembra que no meio da semana a família já começava a cozinhar as chipas e as sopas paraguaias, e ficavam até quinta-feira preparando as iguarias. Porém, na sexta-feira não podia cozinhar nada, apenas respeitar o que antigos ensinavam. “A gente também não tirava leite, porque minha bisavó falava que saia sangue da vaca. E não penteava o cabelo porque senão a gente arranhava a cara do cristo”, lembra.


(Imagem: Carlos Guessy)

Dona Arminda e sua filha Sarah durante almoço em família. (Imagem: Carlos Guessy)


Como no resto da semana, o domingo de Páscoa não foge à regra. O prato principal é o bacalhau. A família se reúne com os amigos mais próximos para celebrar a data e refletir. Porém, antigamente, havia todo um ritual para se cumprir, onde a palavra de ordem era o respeito.


“No domingo a gente levantava cedo, ia rezar em frente ao santo, e depois pedir benção para a mãe e para o pai e perdão das artes que a gente fazia”, explica. Ou costume era acordar bem cedo, e lá pelas 8h da manhã, aiamos visitar as madrinhas, levando algum presente, como um bolo ou um chocolate.


Depois de muito tempo, lutando para preservar os costumes que lhe foram ensinados, o que sobra para dona Arminda é a saudade daquela época. E o seu medo é que a reflexão na Páscoa, o principal intuito disso tudo, seja esquecida. “O tempo da Semana Santa é para respeitar”, finaliza a aposentada.

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