Há 48 anos, em 11 de outubro de 1977, Mato Grosso do Sul conquistava sua autonomia política e administrativa, desmembrando-se de Mato Grosso. Mais do que uma divisão territorial, a separação deu início à construção de uma identidade cultural própria, marcada por uma rica mistura de tradições que distingue o estado de seus vizinhos.
Entre os elementos que tornam o MS único estão a diversidade cultural do Pantanal, a presença significativa de comunidades indígenas, a influência paraguaia na fronteira e as tradições sertanejas que se espalham pelo interior. Essa fusão se manifesta na culinária típica, no tereré compartilhado como ritual social, na música regional, do chamamé ao rasqueado, e nas festas populares que celebram a memória do povo sul-mato-grossense.
Apesar de danças típicas estarem presentes em Mato Grosso do Sul, para Ana Carolline Krasnievicz, que veio de Mato Grosso e agora mora no estado, não vê a presença delas em festas. "Porque lá no Mato Grosso a gente também tem o Siriri, o Cururu, rasqueado e influência dos gaúchos, então o CTG e o pessoal dançando vanerão, tem bastante. E aqui não tem muito disso, eu vejo que aqui a cultura não é mais muito de dança, mas de música e algo mais teatral", fala.
E ao falar de comida sul-mato-grossense, quem nunca ouviu falar do sobá, que possui influência japonesa, e a chipa ou sopa paraguaia, de influência do país vizinho? Além disso, uma bebida que o sul-mato-grossense gosta é o famoso tereré, que vem junto com o costume de estar em parques e praças ou até em frente de casa, principalmente no fim da tarde, quando se reúnem para conversar.
A diversidade cultural reflete na alimentação. Flavio Andre/MTur
Além disso, as cores são frequentes nas cidades do estado, com árvores que deixam tapetes ao longo do ano. Ana conta que estava visitando os parentes em Mato Grosso e falou com a mãe que é impossível andar pelo estado por conta do calor e do sol. Segundo ela, Campo Grande, que também sofre sob o sol escaldante, ameniza a sensação com sua arborização e o povo tem orgulho do costume de plantar árvores, o que facilitava a vida de pedestre.
Apesar disso, a diferença mais visível no dia a dia morando na cidade, para ela, é o fato de que o sul-mato-grossense é mais fechado e não tem o costume de cumprimentar desconhecidos na rua, o que não era comum no seu estado. Além disso, aprendeu que o povo tem muito orgulho de onde veio. "E eu acho que o que me ensinou morando aqui também aqui foi essa cultura de defender o que é seu, sabe? O Mato Grosso, o sul-mato-grossense tem muito disso. De defender o que é seu, de mostrar, falar: "Olha como é bonito, olha como eu cuido".Vocês têm um amor muito grande pelo Pantanal".

A paisagem natural do Pantanal em Corumbá - Flávio André - MTUR
Ana Carolline acredita que o que une os dois estados é apenas o nome, porque as diferenças são muito expostas. Apesar de ter apenas 26 anos, a divisão de Mato Grosso não é tão distante. "A minha mãe nasceu em Campo Grande quando era Mato Grosso ainda. Então, ela conta essas histórias da época. Lá em Cuiabá, a gente tem vários museus que contam também como era antes da divisão do estado, mas quando você percebe os motivos do porquê da divisão do estado, você entende o porquê da distância. Eu não imaginaria hoje conhecendo os dois estados, eu não conseguiria imaginar um estado só".
O aniversário de 48 anos do estado é, portanto, uma celebração da memória, da diversidade e do orgulho de ser sul-mato-grossense, lembrando que identidade não é apenas linha no mapa, mas um conjunto de tradições, histórias e valores compartilhados ao longo do tempo.







