A fala mansa e com ar de malandragem pode até sugerir uma origem carioca, mas parece mesmo ser sintoma de quem foi picado pelo bicinho do samba. No caso do cantor e compositor Gideão Dias, a doença já está em estágio avançado. Apesar de ser considerado um sambista da nova geração, a paixão pelo estilo tem origens na infância, passada em São Paulo, e justifica a insistência em viver música. Para dar corpo a carreira, atualmente encara o desafio de estar a frente de todas as etapas de produção de um artista e aguarda ansioso para dividir o palco com Dudu Nobre, em evento que busca resgatar as tradicionais rodas de samba.
O flerte com o samba já existia desde o tempo que Gideão mantinha contato com a música na igreja. Vinha dos arredores do bairro da Pedreira. "Ouvindo aquilo não tinha como não se contagiar", relembra. Porém, foi a saudade pelo estilo, proporcionada pela mudança para Campo Grande, aos 11 anos, que fez aflorar o lado sambista do artistas.
Apesar de não ser protagonista entre os estilos, o samba desde muito cedo teve representação no Mato Grosso do Sul. Trazido por meio dos portos de Corumbá, o estilo contava com interpretações de Juci Ibanez e Samba São Cinco, na época em que Gideão chegou na Capital. O cenário restrito, porém altamente qualificado, não o intimidou. Começou tocando em alguns grupos, como o Brasilidade, e, em 2003 partiu para a carreira solo que lhe rendeu o disco Safra Boa (2011).
O segundo trabalho está no forno e unirá imagem e som, a previsão é que a gravação ocorra até o final do ano. "Hoje os empresários querem saber qual a desenvoltura no palco", explica. A intenção revela as diversas funções que muitos artistas são obrigados a acumular.

Cavaquinho é parceiro quase inseparável para dar corpo as composições. (Foto: Deivid Correia)
Para garantir as oportunidades para viver do que gosta é preciso se mexer. "Atualmente me vejo como meu próprio empresário", afirma. Apesar de considerar gratificante subsidiar os projetos, Gideão acredita que todo esforço dá oportunidade para que sua música viaje e possa, inclusive, chegar a compor repertórios como o de Dudu Nobre, com que se apresenta no próximo dia 04 de julho, em Campo Grande.
Samba da Gente
Para estar mais perto do seu sonho, nada melhor do que criar a oportunidade. Autor do projeto Samba da Gente, que há um ano e meio reúne samba, feijoada e inúmeras parcerias musicais, Gideão idealizou uma edição especial onde receberá em um caloroso palco 360°, um dos maiores sambistas brasileiros, o cantor e compositor Dudu Nobre.
Ciente do que é seu por direito, ele será o anfitrião e garante um duo faceiro com cantor."Ele vem para legitimar esse projeto", explica. Para receber os parceiros, o repertório será composto, na maior parte, por composições próprias, sem destacar as hits certeiros na animação do público.
A edição especial do Samba da Gente está marcada para ocorrer no sábado, dia 4 de julho, a partir das 11h, na Chácara Gold Park. Entre as apresentações também estarão o grupo Pegada de Macaco e a Bateria Show da Escola de Samba Deixa Falar. Os ingressos podem ser adquiridos a partir R$ 80 (1º lote), antecipadamente. Na hora, o preço será de R$ 120. Os ingressos estão a venda pelo site www.fattickets.com.br. Mais informações pelo número (67)9202-5658,







