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Festival que começa hoje une todo tipo de arte e incentiva experimentação nos palcos

01 abril 2016 - 17h00Por Amanda Amaral

A partir desta sexta-feira (1º) até domingo, os palcos do Teatro Aracy Balabanian, no Centro Cultural José Octávio Guizzo, dão espaço para um intercâmbio cultural variado, na primeira edição do Festival Tudo de Arte. Idealizado por membros do Grupo Casa, da Casa de Cultura Nildes Tristão Prieto, o evento que acontece em Campo Grande tem a intenção de incentivar novos caminhos artísticos por quem já é familiarizado com a plateia ou quem nunca teve oportunidade (ou coragem) de protagonizar o próprio espetáculo.

Teatro, circo, poesia, música, dança e até desenho: vai haver de tudo um pouco durante essas três primeiras noites de abril. A ideia, segundo a atriz Lígia Prieto, surgiu quase que instintivamente. “Esse festival acontece porque tinha que acontecer. Já tínhamos data marcada com o teatro pra fazer o Festival de Cenas Curtas, mas não tivemos tempo de nos organizar. Aí que, vindo de uma sugestão de uma aluna de nove anos da Casa, resolvemos não desperdiçar a data. Trabalhando dia e noite, conseguimos montar esse evento que nos surpreendeu muito pela procura”, conta. 

“Não queríamos beneficiar só a gente, mesmo que tenhamos muitos alunos. Desde o início, todo mundo do Grupo começou a se especializar em alguma coisa, ninguém é só ator, de forma que cada um teve um papel fundamental no desenvolvimento desse projeto”, diz a atriz, que comemora os resultados obtidos até mesmo antes da estreia. “Não esperava que ideia fosse dar tão legal, isso nos empolga pra fazermos outros. Ninguém é genial em um primeiro momento, por isso a experimentação é tão incrível e importante, precisa ser estimulada”.  Além das apresentações dos concorrentes, vão ser encenadas peças do Circo Le Chapeau e da Cia Aplausos.

Ligia Prieto. Foto: André de Abreu 

Premiação 

Os espetáculos, cada um com duração máxima de 10 minutos, serão avaliados por um júri composto de cinco profissionais da área de artes cênicas. São eles: Marcus Villa Góis (professor de Artes Cênicas na UEMS, Doutor em Artes Cênicas pela UFBA), Mauro Guimarães (Ator formado pela UEMS, ator e diretor da Cia Circo do Mato), Marcelo Silva (ator, acrobata-aéreo e performer do Atlântico Clubes na África, Ásia e Europa), Fabio Flecha (Diretor da Render Brasil Produções – Audiovisual) e Kleberson Cespede (Produtor e Diretor de vídeos publicitários da Casa Brasil Filmes).

A premiação é um troféu do Grupo Casa, de acordo com as seguintes classificações: 1º e 2º Melhor em Cena Adulto; 1º e 2º Melhor em Cena Criança; Melhor Cena Adulta; e Melhor Cena Criança. O objetivo das premiações é incentivar a continuação da construção das melhores cenas, e da motivação aos melhores artistas apresentados.

Quem quiser prestigiar, os ingressos estão sendo vendidos na Casa De Cultura Nildes Tristão Prieto (que fica na Rua Caraíbas, número 8, bairro Chácara Cachoeira), e também serão vendidos na bilheteria do teatro, a partir de uma hora antes do evento - que começa, todos os dias, às 20h – à R$ 10,00 inteira e R$ 5,00 meia entrada. O Teatro Aracy Balabanian – Centro Cultura José Octávio Guizzo fica na Rua 26 de Agosto, nº 453, Centro.

O Grupo

O Grupo Casa surgiu há dois anos, instalado na Casa de Cultura que leva o nome da mãe de Lígia, Nildes Tristão Prieto. Um tempo antes, em 2013, no mesmo local, Nildes inaugurou ali a Casa de Poesia Dra. Alda Garcia, de quem foi aprendiz e admiradora.

Quatro meses depois da abertura da Casa de Poesia, que ficava na própria residência da família concentrado em um pequeno palco no meio da sala, Nildes faleceu, diagnosticada com leucemia. Na época, Lígia e o marido, o também ator Fernando Lopes, levavam uma carreira cênica consolidada no Rio de Janeiro, mas decidiram vir à Campo Grande fazer companhia ao pai de Lígia, e recomeçar a história no lar onde passou boa parte da sua infância e, com Fernando, buscar novos rumos profissionais, mas sempre na arte.

Ligia e Fernando. Foto: Thiago Costa

“Abrimos mão de tudo para vir, apostávamos na ideia, mas precisávamos de companheiros de trabalho. Aqui as companhias eram muito fechadas, estruturadas, mas defendemos trabalho companhia. Abrimos então um curso de teatro para ‘pescarmos’ esses parceiros, que já começou com turma lotada de crianças e adultos. Dessa primeira turma já se formou o Grupo Casa”, conta um pouco dessa trajetória.

Nesses dois anos, a Cia tem um extenso portfólio de eventos e espetáculos, entre eles os quatro festivais de cenas curtas, quatro mostras infantis e outras várias peças teatrais. Hoje, 12 pessoas tiram dinheiro do projeto, que se levantou sem depender dos vagarosos editais de cultura do Governo do Estado e da Prefeitura.

Foto: André de Abreu

A parceria com outros grupos hoje também é frutífera, e o receio de vir de um grande centro cultural para onde, supostamente, não é um local de referência nesse sentido, perdeu-se com o tempo. “O que fazemos aqui, não teríamos espaços para tanta intimidade nos grandes centros, Campo Grande é mais calmo Tem o movimento da classe de se defender e crescer, isso é muito legal, como o Maracangalha e o Circo do Mato. Não podemos culpar plateia – que por vezes não foi formada e assim não parece acompanhar um ritmo, nem mesmo governo – que está até tentando novos formatos de incentivo”, avalia.

Com brilho nos olhos de quem põe a alma no que faz, Ligia faz uma observação final que define bem o Grupo Casa. “Minha mãe divulgava papelzinho da Cora Coralina, ‘Nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas’, e eu acredito muito nisso, isso é um pouco no que a gente se baseia”.