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Funk: Movimento cultural em MS ou lixo da sociedade?

Cultura

27 DEZ 2013
Renan Gonzaga
07h10min
Valesca Popozuda é um dos maiores nomes do "proibidão" no Brasil. Foto: Reprodução

Funk é oficialmente cultura, pelo menos no Rio de Janeiro. O ritmo foi reconhecido, em 2009, como patrimônio cultural pela Assembleia Legislativa do Rio. E talvez, pelo cenário social da região isto tenha acontecido tarde. Mas em Campo Grande, as opiniões ainda dividem a população.

De uma lado, muitas pessoas dizem que esse gênero de música não pode ser considerado cultura, enquanto outros campo-grandense consideram ter sim seu valor, pois é apenas a representação da realidade de uma parcela rejeitada da comunidade, e por isso enfrenta tanto preconceito.

Jean Medina, é um dos produtores de eventos responsáveis pela movimento funk na Capital, já trouxe artistas como Mr Catra, Gaiola das Popozudas, Os Hawaianos, Mc K9, Mc Guime, Mc Lon, Mc Beyonce, Mc Pocahontas e Mc Bola para capital e é também um dos maiores defensores do movimento.

“Funk é um cultura sim, mas em Campo Grande estamos trabalhando para deixar a cara do funk como Rio e São Paulo. Lá eles já entenderam”, explica o empresário de apenas 23 anos sobre as diferentes formas de tratamento que o estilo musical recebe entre as regiões do país.

Página reúne usuários que não toleram o estilo musical. Foto: Reprodução Facebook

Uma página no Facebook, com 11.042 curtidas, reúne pessoas de todo o Brasil com um objetivo em comum. “Funk não é cultura Porra” é alimentada, na maioria das vezes, por roqueiros que não toleram, ou até mesmo odeiam o gênero que se referem como poluição sonora. E a descrição não podia ser diferente: “Funk já foi sim cultura. Mais (sic) infelizmente a petulância brasileira afundou em lamas esse feito histórico de James Brown”.

A empresária Jéssica Araújo, de 25 anos tem uma opinião bem extremista sobre o estilo, principalmente por conta dos assuntos abordados. “Não é apenas um lixo cultural, é poluição sonora. As letras são muito apelativas e o mais engraçado é que não agrega absolutamente nada. Só vejo mulheres descendo até o chão em músicas de duplo sentido”, exalta.

“As próprias letras do funk fazem apologia às drogas, bebidas, pornografia e ostentação com o dinheiro alheio. É sempre mais fácil conseguir atenção do povo com a baixaria a do que com um bom MPB”, afirma Jéssica.

Como acredita a jovem, a críticas da maioria são feitas à pornografia abordada nas letras, que falam sobre conteúdos sexuais explícitos. Mas para Jean a história é diferente: “O funk tem vários estilos, desde o melody até o proibidão, e é claro que isso atrapalha na hora de dialogar falando que é cultura, mas algumas letras quentes fazem a galera na pista ficar mais animados e dançar”.

Vale lembrar que músicas com duplo sentido, ou que falam de sexo abertamente não é uma exclusividade do estilo. No Brasil, o sertanejo e o arrocha também são adeptos à letras com conotação sexual. Mas o que começou mesmo a sexualizar a música foi o axé, a nível nacional, com bandas como É o Tchan e Gera Samba.

Recentemente a mídia da Capital divulgou imagens postadas na internet de um baile funk onde menores participavam em meio a nudez e orgias sexuais na Chácara do Detran. O nome do evento era “A Noite das Bandidas” e contou com mulheres nuas em cima do palco, crianças supostamente entre 10 e 11 anos e muito sexo.

Adolescentes participam de bailes funks com nudez e orgias sexuais em Campo Grande. Foto: Reprodução Facebook

Jean Paçoka, como é conhecido, assegura que esta não é a realidade dos shows que produz. “Graças a Deus, nos meus eventos não existe mulher dançando e tirando a roupa. Eu luto para deixar o baile funk organizado e estamos a dois anos com violência zero, quando acontece brigas a nossa produção esta sempre preparada para agir”.

Talvez em Mato Grosso do Sul o movimento funk ainda não tenha mostrado seu verdadeiro potencial, que é juntar as classes sociais do país, que no Rio e São Paulo teve início entre as mais pobres, mas hoje é sinônimo de classe alta também. O estilo faz denúncias de sua realidade, além de evidenciar e discutir problemas sociais.

Nas festas da Capital ele ainda é bastante marginalizado, mas vem mudando aos poucos essa visão. A integração entre o rico e o pobre já é uma realidade, afinal, todo mundo dança quando toca funk na balada. E apesar das letras de sexo, as pessoas também cantam sobre uma realidade marginalizada, evidenciando problemas ainda presentes na sociedade.

Jean Paçoka é um dos maiores nomes na produção de eventos funks em MS. Foto: Reprodução Facebook

E por acreditar no estilo e pensar sem preconceitos, agora Jean é sinônimo de sucesso profissional. “Acreditei no funk e hoje domino sozinho o mercado na cidade. Tudo que tenho (três carros, sendo um particular e dois pra divulgação) duas motos, apartamento mobiliado e escritório estruturado, consegui fazendo eventos de funk”, finaliza o empresário.

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