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Helena passou 94 dias na UTI e ensinou para a mãe o sentido da palavra milagre

Daniela teve pré-eclâmpsia e Helena nasceu prematura com 725 gramas e 31 centímetros

27 outubro 2018 - 07h00Por Kerolyn Araújo

Noventa e quatro dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) lutando pela vida. Esse foi o período que a pequena Helena passou no hospital para ensinar para a mãe, Daniela Neli da Silveira Oliveira, 40 anos, o verdadeiro sentido da palavra milagre. 

Daniela conta que sonhava em ser mãe e, durante 10 anos, tentou engravidar. Fez tratamentos, chegou a fazer uma inseminação, mas sem sucesso. Então, a coordenadora pedagógica convenceu o marido a adotar uma criança. ''Estávamos com uma viagem marcada para fora do país. Quando voltássemos, daríamos início ao processo de adoção", explicou. O que Daniela e o marido não esperavam é que uma surpresa estava a caminho. 

Para viajar, Daniela precisava tomar uma vacina que era obrigatória para entrar no país de destino. Ela foi até uma USB (Unidade Básica de Saúde), mas voltou para casa sem conseguir tomar a injeção. ''A enfermeira perguntou se eu estava grávida e eu falei que não. Ela disse que eu precisava provar que não estava grávida para conseguir tomar a vacina. Até disse que 'desse mato não saía coelho' e que não tinha como eu estar grávida, mas mesmo assim ela não me deu a injeção".

Daniela saiu da UBS chateada com a situação, passou em uma farmácia e comprou um teste de gravidez para tentar novamente tomar a vacina. Foi aí que a maior surpresa de sua vida aconteceu. ''Fiz o teste e deu positivo", lembrou.

O casal viajou, retornou ao Brasil e continuou com a rotina. Porém, aos seis meses de gestação, Daniela começou a ter complicações. A pressão, que era baixa, ficou tão alta que causou pré-eclâmpsia. Helena nasceu prematura aos seis meses e meio de gravidez.

Com 725 gramas e 31 centímetros, Helena começou a lutar pela vida no dia 23 de outubro de 2017. ''Ela nasceu respirando, mas o pulmão parou. Ficou 94 dias na UTI, entubada, teve hemorragia, passou por quatro transfusões de sangue e problemas no pulmão. O primeiro mês foi o mais difícil. A médica dizia que a única coisa que poderíamos fazer era rezar", conta a mãe. ''Tinha medo do pior acontecer. Vi bebês morrerem ao lado da minha filha", lembra.

Com a filha no hospital, a vida de Daniela parou. Como passava o dia no local, de segunda à segunda, acabou conhecendo outras mães que passavam pela mesma situação, o que deu origem ao grupo 'Mães da UTI'. ''Eu passava o dia todo lá dentro. Ficava mais com elas do que com o meu marido".

O grupo em um aplicativo de celular mantém as mães unidas após os dias difíceis na UTI, compartilhando dicas e dúvidas da maternidade. ''Vamos fazer o primeiro encontro do grupo no dia 1º de dezembro no Parque Itanhangá".

Hoje, ao completar o primeiro aninho, Helena é a razão da vida de Daniela e do marido. ''Ela é um milagrinho. O meu milagre!''.

Esperta e muito ativa, Helena já quase anda, é sorridente e a sensação da escolinha que frequenta. ''Ela já passou por tantos momentos difíceis e é tão boazinha. Quase nunca chora. Nem no primeiro dia da escolinha", conta feliz.