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Hip hop leva cultura aos jovens na antiga rodoviária

18 DEZ 2013
Renan Gonzaga
08h00min
Maloca Querida. Foto: Renan Gonzaga

Triste de quem pensa que hip hop é apenas um estilo musical. Basta observar os grupos - sérios - que existem em Campo Grande, e perceber que as atividades vão desde quebrar preconceitos a reduzir os efeitos da desigualdade social. A realidade é que trata-se de uma cultura voltada ao coletivo, que tem a arte como forma de expressão. 

A "Maloca Querida", inaugurada no último domingo, 15, tem esse objetivo. A missão é promover a moda, e aulas de grafite, break dance, rap, além de debates sobre a educação popular e tudo que está ligado à cultura de rua, para jovens na região central de Campo Grande, na antiga rodoviária.

Para as sócias Lidiane Lima e Suzamar Rodrigues, proprietárias do estabelecimento, que se divide em dois ambientes - loja colaborativa e café bar - a intenção de abrir o espaço como ponto cultural é "nortear" os meninos e meninas que se interessam pelo movimento e muitas vezes não encontram oportunidade de se profissionalizarem e fazerem algo sério.

 

"Na hora que vem um pichadorzinho, aquele menino que ramela no muro da tiazinha, a gente quer mostrar que se ele seguir um caminho legal, se for fazer um curso de desenho e estudar, ele pode chegar a ser um grande artista como esses que a gente tem o trabalho aqui na parede", explica Suzamar.

O projeto é realizado apenas pela parceira entre os expositores, que levam suas obras até o local, e as proprietárias que oferecem o estabelecimento para exibição do material. "Nós duas não dançamos, não pintamos, não cantamos, mas a gente articula", afirma Lidiane. "É coletivo, a gente quer inserir aquele que não tem informação e levar a ele. E aquele que tem informação para doar, tem que dividir com todos", completa Suzamar.

 

Além de fazer referência à música de Adoniran Barbosa, o nome da loja possui um significado que revela a verdadeira intenção do espaço. "Maloca é a grande oca na aldeia, é aonde todas as outras ocas vão para participar de rituais religiosos, confraternizações e armar estratégias de combate. E querida é um adjetivo portugês de Portugal, que faz referência a mãe", ressalta Lidiane.

ANTIGA RODOVIÁRIA E MARGINALIZAÇÃO

Praticamente abandonada pelo poder público, com o passar dos anos a antiga rodoviária se transformou em um local marginalizado, separado do resto da sociedade, apesar de, irônicamente, estar localizada no centro de Campo Grande. Pegando essa ideia como gancho, as jovens empreendedoras resolveram transformar a realidade do ambiente.

"É um local histórico e com uma carga cultural muito grande. Da mesma forma que a rodoviária é um ambiente excluído, da nossa cultura as pessoas também tem essa visão, de ser marginalizada", salienta Suzamar.

E para Lidiane o resultado não poderia se mostrar melhor, apesar de tudo estar no começo. "Somou. A rodoviária é uma casa que precisava ter uma retomada e a gente está vivendo um momento onde todo mundo está levando a sério sua arte, seja ela no grafite, no rap e agora os videomakers", destaca.

ARTISTAS E EXPOSITORES

Questionado sobre a importância do ambiente para a cultura de rua, o grafiteiro Patrick Tiki responde: "Ajuda o movimento do hip hop, que é a junção dos elementos que é o grafite, a pixação e o rap. Também ajuda a divulgar o nosso trabalho. A cidade é muito fraca de cultura e quando a gente chega com nossa arte não é bem recebido".

 

Já Sanderley Martinez, um dos expositores, acredita que o preconceito das pessoas é pura falta de informação. "A loja juda a melhorar a visão da cidade, porque tem pessoas que acham que nosso trabalho é coisa de maloqueiro. Mas não percebem que com isso muita gente ganha dinheiro, e salva a vida de quem está no mundo das drogas", finaliza.

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