Antes da 2ª Guerra Mundial, antes do Estado se transformar em um celeiro do agronegócio, idealistas judeus pensaram um futuro diferente para o que hoje conhecemos como Mato Grosso do Sul. É que o diz a revista Super Interessante, com base em um mapa publicado em 1938, em Nova Iorque, no panfleto “Room for the Jews!”, por Joseph Otmar Hefter.
De acordo com a publicação, o manifesto (que você confere ao lado), descria possíveis novos países judaicos longe da Terra Santa, sempre alvo de grandes conflitos. Eram os chamados movimentos territorialistas não-sionistas, ou seja, que não faziam questão de ocupar o território do antigo Reino de Israel, mas miravam o globo todo.
Hefter era um defensor da Nai Juda (Nova Judeia), um estado soberano com tudo a que tem direito, como bandeira, leis, hinos, idioma oficial, etc. No mapa, ele descreve dez projetos, como Madagascar, Uganda e Birobidzhan, na Rússia. Na América do Sul, ele lista um território que ocupa o sul e o oeste da Guiana e o sudeste da Venezuela, na fronteira com o Brasil e, veja bem, Mato Grosso do Sul.
“Uma seção da região de Matto (sic) Grosso, ao norte do Rio Paraná, na fronteira com o Paraguai. Encravada, inexplorada, desconhecida, quase inabitada. Uma terra difícil de florestas, perigosa, mas habitável. Rica em recursos. Borracha, ouro, diamantes. Potencial império industrial. Poderia neutralizar grandes colônias japonesas e alemãs entrincheiradas na costa.”
Conforme a Super Interessante, o projeto não passou de uma “realidade paralela”, em um mundo em que a 2ª Grande Guerra não existiu e nada do que veio depois foi o mesmo, com a morte de milhares nos campos de concentrações nazistas e, antes, especialmente, do surgimento do Estado de Israel, em 1948.
“A riqueza de recursos da região está lá, mas é representada hoje pelo minério de ferro, além da biodiversidade e do potencial turístico de nível global. A “indústria” está mais na soja e no gado. E o projeto que de fato saiu do papel não foi o judaico, mas o da Liga Sul-Mato-Grossense, que, pouco antes de Hefner, em 1934, iniciou os trabalhos rumo à separação de Mato Grosso, o que ocorreu em 1977”, diz a revista.
Por fim, a revista ainda destaca a coincidência sinistra sobre o hipotético estado judaico em Mato Grosso do Sul em relação a uma das teorias de conspiração mais inusitadas envolvendo o Estado. “Há quem jure que ali pertinho, em Nossa Senhora do Livramento, 140 km acima da ainda inexistente divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, viveu até 1984 um simpático imigrante chamado Adolf Leipzig. Teria morrido em paz, com seu nome de nascença devidamente escondido: Adolf Hitler”. Para ler mais, acesse aqui.








