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Ícone do folclore brasileiro, Saci é o protagonista de curta lançado no MS

20 JAN 2016
Amanda Amaral
09h39min
Foto: Reprodução/YouTube

Na infância é quando praticamente todo brasileiro entra em contato com as diversas histórias do imaginário popular do país, como o Curupira, a Mula-sem-cabeça, o Boitatá e aquele menininho travesso de gorro vermelho, cachimbo e uma perna só, o Saci. Pois um campo-grandense apaixonado por mitos, lendas e tudo o que envolve a cultura popular, cresceu e foi além: fez do Saci personagem de seu novo curta-metragem. Com “O Colecionador de Sacis”, o diretor campo-grandense Andriolli Costa estreia a Mostra Curta Saci, que traz mais quatro produções sobre a figura do famoso garoto e acontece em Campo Grande, Corumbá e Três Lagoasl, entre 22 a 28 de janeiro.

A ideia para o roteiro, como explica Andriolli, surgiu como um hobby para alimentar sua curiosidade sobre o tema, mas acabou se tornando uma verdadeira pesquisa quase que sem querer. “No Twitter adaptei um script para retuitar tudo o que as pessoas falavam na rede social que contivesse a palavra ‘Saci’. Com isso, passava o dia vendo o quanto o saci faz parte da vida das pessoas – e não apenas de crianças ou interioranos”, conta.

Disso, nasceu um verdadeiro especialista no assunto – reconhecido inclusive pela Sociedade dos Observadores de Sacis – mas que já carregava em si a bandeira de defensor da cultura popular, como o próprio explica: “a cultura popular é o que nos dá identidade. O saci, especificamente, é a cara do Brasil. Dizem que ele surgiu como um duende guarani, o Yaci Yaterê. Recebe sua negritude das escravas negras, que se tornam a grande referência da contação de histórias no País. O gorro vermelho e o buraco nas mãos – descrito em algumas versões – é herança de outro duende português, o Fradinho da Mão Furada. Índio, negro, europeu, o Saci é a representação da trindade formadora da cultura brasileira”.

No curta independente, o ator Cesar Coffin Souza é Mário, um homem de meia idade que vive cercado de uma coleção de garrafas e jura que em cada uma delas há um saci diferente. Quando uma dessas garrafas de quebra, Mário tem certeza que há um saci solto em sua casa, pois um item muito precioso em sua vida desaparece – e, conforme o mito, o garoto adora sumir com as coisas por aí. Para encontrar o item, o homem recorre até mesmo o ‘achador de coisas’ Negrinho do Pastoreio, ícone do imaginário do Rio Grande do Sul, onde vive atualmente o jornalista.

“Foram dois meses para escrever as cinco versões do roteiro, que sofreu várias alterações conforme o grupo fazia sugestões. E depois mais dois a três meses para preparar os objetos de cena, encontrar o ator e a locação. Foi tudo feito sem recurso nenhum, o que não significa que foi de graça. A equipe toda colaborou, de uma forma ou de outra”, relata sobre o processo da produção.

 

O tema ainda vai render um documentário inspirado no centenário da obra “Sacy Pererê – Resultado de um Inquérito”, de Monteiro Lobato, e incentivou ainda mais o diretor a produzir outros contos sobre o gênero que chama de ‘ficção folclórica’.

Veja o trailer de "O Colecionador de Sacis":

Mostra Curta Saci 

Pesquisador da cultura popular desde 2008 e doutorando sob o tema Jornalismo e Imaginário na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Andriolli quis ir além e atingir um número maior de espectadores e interessados no tema, através da mostra de filmes. “Para dar conta do projeto de valorização e divulgação da cultura popular brasileira, de nossos mitos e lendas e do que significam em nossas vidas, eu precisava de mais do que apenas um filme. Assim, busquei pela internet o contato de produtoras e diretores que pudessem ceder os filmes para exibição. Tudo foi orquestrado em dezembro, quando finalizamos o curta, e devido ao recesso de ano novo foi um processo bastante corrido”, conta.

Como comenta o diretor e também curador da mostra, vários outros filmes compõem a programação, como “Sem Fim”, de Fábio Flecha; “Somos todos Saci”, de Renato Leôncio; o documentário “Observadores de Saci”, de Issis Valenzuela; e “Juro que vi Saci”, de Humberto Avelar. “Procurei todos os filmes contemporâneos possíveis que envolviam saci, nos gêneros dos mais variados. A ideia era utilizar a Mostra para mostrar como o folclore brasileiro pode render histórias das mais variadas, do terror ao drama, da comédia ao documentário”, explica Andriolli, que pretende fazer outras edições do evento.

Após cada sessão, haverá bate papo sobre a importância dos mitos nos dias de hoje com o jornalista e pesquisador de comunicação e Imaginário, Andriolli Costa.

Quando
A mostra acontece de 22 a 28 de janeiro, com entrada franca. Na galeria de imagens é possível conferir os cartazes de filmes participantes.


Corumbá - 22/01
- CineSesc (17h e 19h)
A sessão das 17h será para o público infantil, com contação de histórias para as crianças

Três Lagoas – 27/01
- BocaCine, no galpão da antiga NOB (19h) 

Campo Grande – 28/01
- Museu da Imagem e do Som - MIS (19h) 

Para saber mais, acesse o blog O Colecionador de Sacis

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