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19/12/2025 16:19

Interior de MS dá aula de gestão e acumula caixa enquanto cidades enfrentam asfixia financeira

Levantamento sobre os balanços de 2024 e 2025 expõe o paradoxo sul-mato-grossense

O mapa financeiro de Mato Grosso do Sul nos anos de 2024 e 2025 revela uma dicotomia preocupante. Enquanto os dois maiores polos econômicos e populacionais, Campo Grande e Dourados, iniciaram o exercício estrangulados por passivos e travas legais, municípios do interior, com Costa Rica à frente, demonstram que a eficiência administrativa pesa mais que o volume bruto de receitas.

A análise da reportagem sobre os relatórios de gestão fiscal e as peças orçamentárias das dez maiores economias do Estado aponta que o "segredo" da solvência deixou de ser o tamanho do repasse, residindo agora no controle das despesas continuadas.
Estrangulamento dos grandes centros

O quadro mais dramático encontra-se em Dourados. A segunda maior cidade do Estado enfrenta uma realidade de terra arrasada nas contas públicas. A administração iniciou 2025 carregando um passivo consolidado de R$ 169,5 milhões, soma que inclui rombos previdenciários e despesas sem lastro financeiro.

A situação é de insolvência técnica: para encerrar janeiro, o déficit projetado já era de R$ 38 milhões. O impacto na ponta é imediato, com a prefeitura lutando apenas para quitar a folha regular, sem margem para gratificações, enquanto a Fundação de Saúde (Funsaud) acumula uma dívida estimada em R$ 90 milhões.

Como polo de saúde para mais de 30 municípios vizinhos, a pressão sobre Dourados é sistêmica. Numa tentativa de blindagem para 2026, alterações na Lei Orgânica forçarão o legislativo a direcionar 40% das emendas impositivas obrigatoriamente para a saúde.

Já na Capital, o quadro de calamidade já é amplamente conhecido, com polêmicas diárias e dúvidas de até quando os órgãos fiscalizadores farão vista apurada. Tambem vive-se uma asfixia institucional. Campo Grande opera em violação ao limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), comprometendo 57,73% da Receita Corrente Líquida apenas com pessoal. Sem margem de manobra, o 13º salário foi pago no limite do prazo, sem as antecipações que tradicionalmente aquecem a economia, evidenciando uma capacidade de investimento próprio quase nula.

Prefeitura Municipal de Costa Rica

Costa Rica: Referência de eficiência

Na contramão da crise metropolitana, Costa Rica, na região norte, consolidou-se em 2025 como o modelo de sanidade fiscal. Com menos de 30 mil habitantes, a cidade ostenta indicadores de liquidez que superam, proporcionalmente, os da Capital.

O balanço da tesouraria, datado de 9 de dezembro de 2025, atestou uma disponibilidade de caixa de R$ 44.061.054,25. Esse colchão financeiro protege o município de instabilidades e assegura obras com recursos próprios. O prefeito Cleverson Alves dos Santos (PP) credita o sucesso à disciplina nos gastos.

"Todas as nossas despesas obrigatórias serão quitadas", garantiu o gestor.

O prefeito confirmou ainda a concessão de abonos natalinos, R$ 1 mil para o quadro geral e valores entre R$ 1 mil e R$ 2 mil para servidores da Educação. A chave para essa bonança está na folha de pagamento: enquanto a Capital compromete quase 60% da receita, Costa Rica iniciou o ano gastando apenas 31,87% com pessoal. Essa "gordura" viabilizou um orçamento recorde de R$ 262 milhões para 2025 e um aporte de 27% das receitas em Saúde. O município também é um dos primeiros de MS a ter transporte coletivo gratuito, implantando há quatro anos. 

A organização permitiu ainda pagar os servidores ativos até 22 de dezembro e conceder férias a 90% do funcionalismo em janeiro, otimizando a máquina durante o recesso.

Oásis na Grande Dourados

A eficiência fiscal não é privilégio exclusivo do norte. A apenas 70 quilômetros do epicentro da crise douradense, Glória de Dourados encerra 2025 como um contraponto de solvência na mesma bacia geográfica. Sob a gestão do prefeito Júlio Cleverton dos Santos, o "Júlio Buguelo" (PSD), o município projeta fechar o ano com um superávit de R$ 10 milhões em caixa, conforme dados do balanço financeiro municipal.

A fórmula se repete: enquanto os grandes centros estouram limites legais, Glória de Dourados mantém sua despesa com pessoal em 32,7% da Receita Corrente Líquida, um índice de "saúde de ferro" muito abaixo do limite de alerta da LRF. Essa folga orçamentária permitiu inovações impensáveis para as metrópoles endividadas: a prefeitura implementou um programa de implantes dentários gratuitos (investimento de R$ 1 milhão) e consolidou um sistema de telemedicina que oferta 36 especialidades, incluindo neurologia pediátrica. Segundo apurou a reportagem, o município liderou ainda a captação de recursos na região, garantindo R$ 2,37 milhões extras via emendas parlamentares. 

“Quando assumimos enfrentamos o desafio de trocar os métodos e aplicar uma gestão responsável e conseguimos adiantar salários e o 13º, além de ter atingido o índice Capag (tesouro nacional) A". 

Ilhas de prosperidade e sinais de alerta

O cenário positivo não é exclusividade de Costa Rica. Três Lagoas, impulsionada pela cadeia da celulose, opera com um orçamento de R$ 1,4 bilhão e investimentos massivos. No segundo quadrimestre de 2025, o município aplicou 30,79% das receitas de impostos em Saúde, o dobro do piso constitucional, e 26,93% em Educação.

Maracaju, sustentada pelo agronegócio, segue trilha similar. Até agosto de 2025, investiu R$ 32,3 milhões (25,67%) em Saúde, garantindo autonomia em serviços médicos. A robustez do caixa permitiu à Câmara autorizar uma suplementação orçamentária de 35% para 2025, oferecendo agilidade ao Executivo para remanejar verbas e acelerar entregas.

Em Glória de Dourados, o índice de contratação chega a 32,7% e o prefeito Júlio Buguelo (PSD) conseguiu manter um caixa de 12 milhões.

Por outro lado, a fronteira exige cautela. Ponta Porã sofreu uma grave frustração de receitas, arrecadando até agosto apenas R$ 417 milhões de uma previsão anual de R$ 900 milhões, afetada pela queda no ITBI e estagnação econômica. O orçamento de 2026 sofreu um corte de R$ 100 milhões, embora os índices constitucionais de Saúde e Educação tenham sido blindados.

Corumbá, lidando com o custo logístico do isolamento geográfico, aplicou 18,13% em Saúde e 24,89% em Educação até agosto, com a expectativa tradicional de aceleração dos empenhos no último quadrimestre para cumprir as metas legais. O Plano Plurianual (2026-2029) projeta R$ 1,5 bilhão para estas áreas essenciais.

O veredito das urnas e dos números

A insolvência de Campo Grande e Dourados, que juntas somam mais de 40% da população, representa um risco estrutural para Mato Grosso do Sul. Se estes polos falham, a conta recai sobre o Estado e sobre os vizinhos.

Fica evidente que a alta arrecadação não é sinônimo de boa gestão. Mesmo com o Governo do Estado ostentando nota "A" na Capacidade de Pagamento (Capag) junto ao Tesouro Nacional em 2024, essa solidez não "contamina" automaticamente os municípios. A dependência de repasses (FPM/ICMS) e a inflação dos custos operacionais expuseram quem não fez o dever de casa.

O exemplo de cidades médias como Costa Rica e Glória de Dourados comprova a tese municipalista: o verdadeiro motor do desenvolvimento local é a eficiência na despesa e a manutenção de uma folha enxuta.

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