Em estações conhecidas pelo clima seco e às vezes um pouco acinzentado pelas ocasionais frentes frias, a paisagem de Campo Grande ganha reforço agradável nos últimos dias de inverno. Tons roxos, rosas, amarelos, brancos e até o já predominante verde dão ares agradáveis as ruas da Capital com a florada de ipês de agosto. No centro da cidade ou na periferia já é possível ver as árvores floridas apesar das chuvas fora de época.
Como qualquer pessoa vaidosa, o ipê se despe completamente antes de por roupa nova. Conforme a Fundação Joaquim Nabuco de pesquisa, a árvore se desfaz totalmente das folhas antes de vir as flores, chegando a ficar durante um tempo com a aparência totalmente seca. "Eles são lindos. Chamam bem a atenção e florescem da noite para o dia", afirma o comerciante Juliano Miguel, 31 anos. Mesmo atuando nos altos da avenida Afonso Pena há alguns anos ele ainda se surpreende com a beleza dos ipês amarelos que surgem no Parque da Nações Indígenas.

(Foto: Deivid Correia)
Apesar de se intensificarem nos períodos de agosto a setembro, o florescimento das árvores imponentes de ipês não segue nenhuma regra. O aparecimento das flores é tão diverso quanto suas cores e suas espécies. As bigoniáceas, família a qual a árvore pertence, são distribuídas por 120 gêneros, com cerca de 800 espécies. A floração dura cerca de 30 dias. A árvore pode chegar a atingir os 25 metros de altura.
Morando em Campo Grande há nove anos, a babá, Ivone Melo de Souza, 53 anos, sente falta das flores quando elas demoram a chegar, devido a alguma alteração climática. "É uma pena que elas fiquem apenas até o final de outono, pois acabam enfeitando a cidade". Mas o reconhecimento da beleza dessas flores não é apenas dos campo-grandenses e chega até a ser nacional.

(Foto: Deivid Correia)
Nem todos sabem que, dentre o grande universo de plantas nativas do país, o ipê sempre foi considerado a árvore nacional brasileira. No dia 7 de dezembro de 1978, a lei nº 6507 veio declarar que o pau-brasil (caesalpinia echinata) seria a Árvore Nacional e, a flor do ipê, a flor do símbolo nacional.
Na região de Campo Grande há registro de cinco espécies nativas. Entre as mais comuns está a Tabebuia áurea, popularmente conhecida como “paratudo”, devido ao fato dos pantaneiros mascarem suas cascas como remédio para problemas de estômago, vermes, diabetes, inflamações e febres.

(Foto: Deivid Correia)







