terça, 20 de janeiro de 2026

Busca

terça, 20 de janeiro de 2026

Link WhatsApp

Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Top Mídia News
Algo mais

18/08/2014 12:00

Jornaleiro há mais de meio século, Seu Hélio relembra 'histórias' de ingresso dos Menudos a Presiden

#Morena115anos

O par de olhos que há 54 anos pousa sobre o centro de Campo Grande quase que diariamente é capaz de dizer que tudo mudou em um lugar que ao mesmo tempo segue abandonado.  Contradições como estas são sinais de que a capital sul-mato-grossense chega aos seus 115 anos com traços de cidade grande, onde extremos são capazes de se encontrarem dentro de poucos metros quadrados. A testemunha de tais sinais do tempo é o jornaleiro Hélio de Andraus Gohoma, 76 anos, que possui desde 1960 uma banca na esquina da rua 14 de Julho com a Dom Aquino, coração da cidade.


Talvez a estrutura metálica que abriga o comércio não seja a vencedora em anos, mas é a única que permanece sobre os cuidados do mesmo jornaleiro. A prova de que a dedicação ao trabalho se fundiu a própria vida pessoal do jornaleiro é o nome pelo qual é conhecido, Hélio da Banca. “Se perguntar pelo nome completo não tem cinco pessoas que vai te responder quem é”, afirma. Além disto, o amor a profissão também foi repassada aos cinco filhos que começaram a trabalhar no mesmo lugar, um deles, inclusive, deu continuidade aos passos do pai e abriu sua própria banca nas Moreninhas, região sul da Capital.


(Foto: Deivid Correia)

(Foto: Deivid Correia)


Em meio aos milhares de estabelecimentos do centro e a rotatividade característica desde local é difícil imaginar que tenha quem consiga se adaptar as mudanças do tempo. “Tudo na cidade mudou. O único que não mudou fui eu. Em 54 anos só ficou eu e­ os Correios por aqui. Mais ninguém”, afirma com certo ar de vaidade.


Mas como nem sempre mudança e sinônimo de evolução, Hélio é sincero ao falar de suas impressões sobre a Morena que acompanhou por mais de meio século. “Cresceu. Mas em termos de centro ela ficou parada no ar. O que tem era o que já tinha há 50 anos. De bom aqui só tem a banca do Hélio”, brinca sobre os sinais do tempo.


A verdade é o centro de Campo Grande está na vida de Hélio muito antes da banca. Nascido na rua Maracajú, em um dia de enchente que, segundo ele, só não levou ele a mãe para baixo dos trilhos, o jornaleiro foi criado na Vila Carvalho, um dos primeiros bairros da Cidade. Além disto, presenciou momentos históricos, como a demolição do Relógio Central, em 1970, na confluência das ruas 14 de Julho com a avenida Afonso Pena, bem como a inauguração de sua réplica, em 1999, desta vez no encontro com a rua Calógeras. “O relógio não precisava ser retirado. Não atrapalhava em nada. Nesse tempo, eu também era engraxate e guardava minha caixa no porão de baixo do relógio”, revela.


Em tempos de Ditadura Militar, podemos dizer que Hélio recebeu clientes ilustres em sua banca. Conforme o jornaleiro, o militar Emílio Garrastazu Médici costumava se sentar e ler o jornal por ali mesmo. “Quando veio a Campo Grande pela primeira vez como presidente quebrou o protocolo e veio aqui me abraçar, mesmo eu estando de bermuda e chinelo, que foi o jeito que eu sempre andei”, explica. Nomes como dos então senadores Filinto Muller e Rubem Figueiró também figuravam na extensa carteira de clientes. Na democracia, o cliente ilustre é o candidato ao governo do Estado, Delcídio do Amaral (PT).


(Foto: Deivid Correia)

(Foto: Deivid Correia)


Mas mesmo em tempos de exceção, o jornaleiro relembra momentos de alegria que sua banca costuma proporcionar, como com a venda a de ingressos de todos os eventos esportivos e culturais da Capital. “Era só aqui que vendia. De todos. Até daqueles Menudos”, afirma.


Com o passar do tempo, as preferências foram mudando e a profissão que no início era sinal de prestígio se desgastou, como tantas outras. “A compra de jornal caiu 90%. A gente sobrevive hoje de tudo um pouco”, explica com tom realista em meios aos óculos, guarda-chuvas e capinhas de celulares comercializadas na banca.

Siga o TopMídiaNews no , e e fique por dentro do que acontece em Mato Grosso do Sul.
Loading

Carregando Comentários...

Veja também

Ver Mais notícias