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'Lojinha 0800' doa roupas e cultura para moradores de rua

16 outubro 2015 - 15h16Por Kamila Alcântara

Roupas, sapatos, casacos, até troca de livros ajudam a espalhar conhecimento e solidariedade na região da antiga rodoviária em Campo Grande. A "Lojinha 0800" faz arrecadações e todo mês realiza doações para moradores de rua e pessoas que não têm condições de comprar uma roupa para si e os filhos.

Segundo o produtor cultural e empresário Pietro Luigi, 39 anos, a ideia surgiu de um grupo de amigos que viu o mesmo tipo de campanha no exterior. "O grupo pensou no projeto e pediu para eu ceder um espaço na minha loja uma vez por mês, tipo um ponto de arrecadação e doação. Com o tempo eu também acabei me envolvendo e ajudando. Chegou uma época que eu não tinha mais espaço para andar de tantas sacolas", conta.

Pietro está sempre envolvido em eventos culturais e sociais. Foto: André de Abreu

A loja escolhida para funcionar a "parte física" do projeto é a Subcultura Records, um sebo com discos de vinil, CDs, livros e outros vários objetos antigos, com entrada pela rua Dom Aquino. "Fazemos a divulgação meio que no 'boca-a-boca', falando com o pessoal que passa por aqui, mas também fazemos a divulgação pelas redes sociais".

Foi o que aconteceu com a enfermeira Anair de Souza, 64 anos. "Eu estava passando aqui na frente quando ele me disse das arrecadações de roupas. Eu fui pegando com os conhecidos perto de casa e trouxe, a maioria são roupas de adultos. Até entreguei um cartãozinho para a filha de uma senhora que morreu recentemente e deixou um monte de roupa boa e não sabem o que fazer", detalha a enfermeira.

Anair chegou com o carro cheio de roupas que conseguiu com os vizinhos. Foto: André de Abreu

Para Pietro, o mais complicado foi reconhecer quem realmente precisa das roupas. "É meio que um preconceito nosso, mas tivemos que ter cautela para ver quem realmente não tinha condições ou só queria comercializar as roupas para comprar drogas, que é bem comum nessa região. Também tivemos que conscientizar que as arrecadações precisam ser divididas entre todos, de forma igual".

Com um acervo enorme de livros  e revistas, no dia que a campanha é colocada em prática até os materiais da loja são colocados para doação ou empréstimos. "Muitas vezes a pessoa vinha aqui e pedia para 'levar um livro emprestado', depois realmente traziam de volta. Teve até uma mulher que perguntou se poderíamos trocar com alguns que ela tinha em casa. É muito bom ver as pessoas adquirindo cultura sem preconceito", conclui.