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quinta, 03 de dezembro de 2020
Consciência Negra

'Não sou racista, até tenho amigo negro': maior expressão do preconceito está na negação

Para especialista, única forma de acabar de vez com o racismo é o conhecimento

20 novembro 2020 - 17h00Por Nathalia Pelzl

Em um país onde negros são mortos diariamente, muita das vezes por motivo banal, ainda há quem negue a existência do racismo e evite o debate. Hoje, 20 de novembro, é celebrado no Brasil: Dia da Consciência Negra. 

Pensando nisso e para falar um pouco da luta diária da comunidade negra, o TopMídiaNews entrevistou a professora mestra Myla Machado e participante do Grupo TEZ.

Para a especialista, a luta é diária e a única forma de acabar de vez com o racismo é o conhecimento. 

“A gente diz que a luta nunca vai terminar, cada ano, cada incidente, cada tragédia como essa do Carrefour, é motivo para fortalecer a nossa luta, porque foram muitos anos de silenciamento, há séculos que o racismo é velado, ainda é, não podemos dizer que modificou”, diz. 

Myla faz questão de reforçar que a luta da comunidade negra começou nos quilombos e reforça algumas vitórias, como a Constituição de 1988, leis e políticas públicas. 

“Leis e políticas públicas que foram criadas e ampliadas, fortaleceram a nossa luta. Temos embasamento certo e apoio judicial para ir contra comportamento de racismo, é uma luta que parece que nunca vai acabar, agora temos voz e um grito muito mais alto. Temos essas conquistas que foram fundamentais e que só foram possíveis devido ao movimento social desde o tempo do quilombo, quando o negro não aceitava imposição escravista”, pontua. 

Contudo, apesar das conquistas, ela admite que os líderes políticos influenciam no comportamento social. 

“Retrocesso existe e acontece porque é como se as máscaras da sociedade tivessem caído, os líderes políticos são o retrato da sociedade machista, patriarcal, racista, homofóbica... Alguns líderes pregam a desigualdade social todos os dias. Agora, é como se tivesse uma carta de autorização para ser racista”, reflete.

Racismo nosso de cada dia

Além da luta contra imposições e padrões sociais, é preciso estar atendo a piadas, expressões e memes compartilhados nas redes, conforme Myla explica. 

“Quando a gente diz 'vou te colocar na lista negra', porque tem que ser associada ao negativismo? Tudo que é negro, escuro, é ruim, vem da associação com a escravidão, que é triste e desumano. Por isso reforço que as políticas públicas são essenciais, pois daí a pessoa vai parar e pensar: 'opa, pera aí, isso não é legal'”. 

Myla usa o pensamento de Angela Davis sobre a libertação de mentes para que o preconceito seja erradicado. 

“A maior expressão do preconceito racial no Brasil está justamente na negação desse preconceito. O racismo existe e ele mata todos os dias. A Sociedade precisa de justiça social, sem preconceito racial, sem homofobia, sem violência. Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho nos olhos, haverá guerra, haverá dor. Sem conhecimento a gente não consegue nada. É preciso lutar com propriedade de argumentos pra embasar e defender o que acreditamos”, finaliza. 

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