De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje são mais de 832 mil habitantes em Campo Grande, e com certeza você já ouviu uma parte deles falando que a capital sul-mato-grossense é uma “roça grande”, ou “fazenda desenvolvida” por conta das capivaras que atravessam a avenida mais movimentada da cidade ou da onça que fugiu do CRAS e ficou solta pelo Parque das Nações Indígenas.
O fato da população estar chegando a quase um milhão de moradores não muda o outro fato dos próprios campo-grandenses fazerem graça com o ar de interior que se reforça cada vez que alguém compartilha alguma foto dos maiores roedores do mundo “frequentando” a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, fazendo chover comentários dizendo que a cidade e até mesmo o Estado é uma selva.
Em uma imagem divulgada no Facebook por um acadêmico da UFMS, um grupo de capivaras atravessa e para o trânsito de Campo Grande no final da tarde, horário em que os animais tentavam chegar em uma área verde do outro lado da lagoa. A cena também se repete diariamente na avenida Afonso Pena, a mais movimentada da cidade, obrigando os motoristas a terem paciência e admirarem a natureza.

Acadêmico registra momento em que capivaras atravessam rua próxima da UFMS. (Foto: Reprodução/Facebook)
É macaco capturado no bairro Los Ângeles, é tamanduá-bandeira e cobra aparecendo no bairro Monte Castelo. E, segundo a Polícia Militar Ambiental, isso acontece porquê a área onde estão vivendo vem sendo invadida e ocupada pelas construções e residências.
Também pode-se citar o caso da onça pintada que assustou a população no ano de 2010 ao fugir duas vezes do Centro de Reabilitação de Animais Silvestre da Cidade Morena. A fera havia abrido um buraco na tela da jaula construída especialmente para felinos, que inclusive, tinha sido inaugurada por ela mesma. Cães, armadilhas e a própria PMA fizeram parte da operação de resgate que durou dois meses até ela ser recapturada.
Com certeza, nesta época muito se falou que a Capital tinha até onça nas ruas. Mas o comportamento do campo-grandense também entra na lista de atitudes criticadas pela própria população. Afinal, o boné, a calça apertada, a camisa xadrez, e – é claro – cinto de fivela fazem parte do look masculino para qualquer balada sertaneja que bomba nas noites.

Tamanduá é capturado andando nas ruas do bairro Santo Amaro. (Foto: Divulgação/PMA)
A VISÃO DE QUEM É DE FORA
O niteroiense Julio Cesar Dumitriu, de 25 anos, nunca veio à Campo Grande, mas por conta da imagem que seus conhecidos passam da cidade, ele acredita que na Capital as pessoas só andam “bota e chapéu de cowboy”. “Eu assimilo a um lugar onde se ouve muita música sertaneja, onde tenha fazendeiros e gados”, revela.
Em contra-partida, para a maioria das pessoas de outros estados esta imagem vem mudando com o passar dos tempos. Um exemplo é a supervisora comercial Izabella Barata, de 30 anos, que nasceu, cresceu e mora em Fortaleza, capital do Ceará, mas que passa as férias de final de ano na casa de familiares em Mato Grosso do Sul desde criança.
Segundo a jovem, a imagem que se tem em Fortaleza é totalmente diferente da que os próprios campo-grandenses tem. “Todos falam que queriam conhecer aí, que acham lindas as paisagens, que sonham em ir para Bonito. E quando eu falo que tenho família aí e conto como é, as pessoas ficam babando”, afirma a supervisora.

Izabella de férias em MS. (Foto: Reprodução/Instagram)
Aliás, pelo que parece, Bonito, apesar de ser uma cidade famosa pelas belezas naturais, contribuiu para tirar o foco de Campo Grande. “Aqui vocês são bem vistos, tenho um primo que foi conhecer aí e Bonito, fez um pacote, adorou e recomenda”, complementa. Essa mesma informação pode ser confirmada pelo goianiense Roldão Barros, de 23 anos: “Bonito é a cidade mais conhecida entre os goianos”, diz.
“Todos tem acesso a internet e informação, poucos falam ou acreditam nesse tipo de bobagem. As pessoas que acham isso certamente são ignorantes ou são a minoria”, completa Izabella e ainda revela que o mesmo acontece com sua cidade. “É igual os que acham que aqui só tem roceiro em chão rachado, que a gente só toma banho de mês em mês por falta de água", finaliza.

Capivara toma banho solitária no Parque das Nações Indígenas (Foto: Renan Gonzaga)







