A figura monumental do prédio da Antiga Rodoviária chama a atenção na paisagem do centro de Campo Grande. A arquitetura, não tão atraente como as dos prédios comerciais recentes, já foi referência em inovação ao trazer, em 1973, uma opção diferente para a ainda cidade do interior do Mato Grosso. Quem frequentava o local, nos idos dos anos 80, não poderia prever que 30 anos depois o destino deste prédio seria se tornar um verdadeiro 'elefante branco'. Com promessas que se intensificaram ainda mais após a desativação do terminal rodoviário em 2010, os comerciantes que resistiram no local, apelam por qualquer melhoria, cultivam incertezas e analisam até que ponto as mudanças são boas para o local.
Durante os quatro anos que se seguiram após a transferência do Terminal Rodoviário de Campo Grande para a avenida Gury Marquez, região sul da Capital, os comerciantes do antigo prédio lutaram por alternativas a fim de movimentar o local, que já não contava com os passantes de outrora. Os "lancheiros", despejados no local, e eventos pontuais não foram suficientes para manter a maioria dos lojistas. Com o abandono, a ajuda do poder público, que detém 1/3 do prédio, sempre foi solicitada, mas, até então, o que se ouviu foi apenas promessas.

(Foto: Deivid Correia)
Uma reunião realizada na segunda-feira (14) com o prefeito Gilmar Olarte (PP) e audiência pública sobre o assunto, no dia seguinte, deu firmeza a mais uma das propostas que surgiram para contribuição pública ao prédio. Uma das representantes dos lojistas, Heloisa Cury, explica que as mobilizações são para que a prefeitura se responsabilize pelo que é seu. "A prefeitura não pode colocar dinheiro público em um local privado", explica. Com ocupação de suas salas e trazendo melhorias para o entorno, os proprietários acreditam que o público voltará a frequentar o local estigmatizado pela criminalidade.
Com a série de campanhas realizadas durante estes anos para a revitalização do local, como o movimento T'Amo na Rodô, Luz na Rodô, Role Rolista, Batalhas de MCs e Feira de Artesanatos e com aluguel de salas para artistas regionais, o local acabou assumindo uma identidade cultural. A idéia é que essa atmosfera se intensifique com a revitalização. "De acordo com o prefeito, a Fundac (Fundação Municipal de Cultura), secretaria de Turismo, Emha e Funsat podem vir para cá", afirma Heloisa que esteve presente na reunião realizada com Olarte.

(Foto: Deivid Correia)
Cansados de tantas promessas, os comerciantes afirmam que só acreditam nas mudanças quando elas realmente acontecerem. Há 25 anos no local, o comerciante Mamede Fernandes Amorim, 60 anos, é um dos desconfiados. "Na hora que eu ver que tomaram alguma iniciativa, estou disposto a fazer melhorias na minha loja",disse. A contrapartida pedida pela prefeitura é que os lojista pintem as salas e adotem portas de vidro após a revitalização.
Há menos de seis meses no local, os lojistas Yasmin Santiago, 20 anos, e Pietro Luigi, 38 anos, afirmam que as melhorias são bem-vindas, mas fazem ressalvas. "As mudanças são legais porque realmente vai trazer público para cá. O nosso medo é que comecem as desapropriações e quem já está aqui seja expulso", afirma Pietro.

(Foto: Deivid Correia)
A preocupação é porque, entre os pontos debatidos com o prefeito, está a viabilidade de desapropriar o estacionamento subterrâneo com capacidade para 250 vagas, um salão de 2.500 metros quadrados (pertencente ao mesmo dono do estacionamento), além dos espaços onde funcionavam os cinemas (Plaza e Center). Porém, Heloisa garante que a desapropriação ocorrerá apenas nestes locais que não estão sendo utilizados. "A salas grandes acabaram atrapalhando neste processo de revitalização porque trata-se das que não foram alugadas', afirma.

(Foto:Deivid Correia)
Entre as mudanças sinalizadas pelo Executivo municipal, estão também a transformação da antiga plataforma urbana em praça de alimentação em frente à Rua Vasconcelos Fernandes. Hoje, o espaço é ocupado durante o dia pelos vendedores de carros usados (a popular "pedra") e à noite por nove "lancheiros". Para a plataforma externa à Rua Joaquim Nabuco, a proposta é transformá-la num terminal de transbordo do transporte coletivo, enquanto a plataforma interna ficaria para o embarque e desembarque de vans, além dos ônibus de sacoleiros.







