Contorcionismo, palhaçaria, mágica e malabarismos. Reunidas sobre a lona, essas artes ganharam o nome de circo. Oportunidade para encantar o público e viver uma paixão pelo surpreendente tendo qualquer terreno vazio como itinerário. A ideia de picadeiro transpôs a representação física. Virou essência capaz de transformar qualquer canto em palco de espetáculo circense.
O aspecto suntuoso é regra no Cirque du Soleil, uma das maiores companhias de circo do mundo, assim como na simplicidade dos picadeiros instalados na periferia. O espaço pode ser menor, cheio de improvisos, típicos de quem está de passagem, mas encanta e desperta a curiosidade de quem passa por perto.
O CEP temporário do Gran Circo Mexicano é um terreno na avenida Manoel da Costa Lima, no bairro Jardim Paulista. A estadia dura no máximo uma semana, se a bilheteria for boa. Próximo de casas, a convivência ultrapassa o espetáculo e o leve sotaque espanhol, vindo no carro de divulgação, é mais um elemento para descortinar logo mais a noite.
Nos bairros, o espetáculo ganha público diverso, que não se importa em trocar rotina da novela das 20h para desvendar o mundo por baixo da lona colorida. "Fui no circo quando era moleque, mas meu filho estava falando em levar minha netinha hoje à noite", afirma o pedreiro Alvino Viana, 53 anos.
A magia por trás do circo desperta curiosidade mesmo em quem pensa não ter mais idade para isto e as lembranças da infância são inevitáveis. "Lembro de um mágico, como se fosse hoje. Ele quebrou um relógio e depois o devolveu inteirinho", afirma.
Fazendo o verão em qualquer lugar
Apesar da representação trazida pelo picadeiro, cada número do espetáculo constitui um ciência a parte. Carregando o espírito circense, muitos artistas optaram por trabalhar sozinhos ou em grupos reduzidos. Facilitando o transporte e aprofundamento das técnicas, esta é um das formatações modernas do circo.

Rick Thibau se apresenta no espetáculo "Tenda das Adivinhações". (Foto: arquivo pessoal)
O mágico Rick Thibau, 32 anos, trabalha sozinho desde que ingressou na profissão, há 11 anos. Apesar da representação social do ilusionista estar ligada ao circo, o campo-grandense se inspirou nas raízes da técnica para criar verdadeiros shows de mágica. "A mágica abrange muitos tipos de linguagem e cada estilo é acompanhado de uma árvore genealógica", explica.
Levando a mágica para salões, o profissional encontrou novas possibilidades dentro do segmento, porém ainda enfrenta os mesmos desafios do circo. "Começa por não termos grandes referências , além de termos de competir com outros tipos de entretenimento, como internet e televisão", afirma.
Para não ter desculpa, a dupla Circo Le Chapeu optou mesmo pelas ruas e pelo ingresso voluntário para emplacar os espetáculos. O número reduzido é incapaz de limitar as apresentações. "Nosso show só não tem mágica e animal. Contorcionismo, malabarismo e palhaçaria estão entre os nossos números", explica Nicole Rodrigues, 22 anos, que se apresenta com Junior Rodrigues.

Circo Le Chapeu faz apresentações de rua e passa o chapéu ao fim das apresentações. (Foto: arquivo pessoal)
E quem pensa que para arte é preciso apenas dom, se engana. Natural Londrina (PR), Nicole estudou na Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro. "De lá saem muito grupos que funcionam como o nosso. O circo foi amor a primeira vista", explica.







