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Na ponta dos pés, meninos provam que dança supera preconceitos

Dança

28 novembro 2013 - 08h47Por Lorrayne Kasi

Quando o assunto é dança clássica, vem sempre à mente uma menina de collant e meias, que exibe gestos delicados. Mas, quando a bailarina divide palco com um garoto, é ai que entra o preconceito. Os bailarinos são sempre vistos com maus olhos perante a sociedade, que os julga como homossexuais.

Buscando lutar contra essa discriminação, o diretor e professor de dança, André Souza de 33 anos, criou em 2009 o projeto “Homens no Ballet”, que tem como objetivo formar uma companhia de bailarinos, e dar formação profissional. “Antes de iniciar o projeto, eu os conscientizei e formei turma. Primeiro apareceu um, depois dois, daí vieram mais cinco, e hoje nós temos de 25 a 30 homens fazendo ballet, entre crianças, jovens e adultos” explica o professor.

Na iniciativa também são desenvolvidas palestras, ministradas pelo próprio professor, sobre o uso de drogas e sexo, além de acompanhamento para dar suporte psicológico, que visa preparar os alunos a lidar melhor com as agressões. O professor conta, que são inúmeros os casos de meninos que desistiram do projeto por não aguentarem as chacotas que sofreram por participarem das aulas de dança. Há episódios em que os bailarinos deixaram a companhia após apanharem de colegas na escola.

“Os alunos sofrem preconceito, mas eu vejo que é questão de cultura. Eu não crítico quem tem preconceito porque as pessoas não conhecem. Eu vejo por mim, a minha família foi contra quando eu comecei, mas eles não conheciam a dança. Eu entendo. E quem tem que tentar passar essa consciência somos nós, eu sempre explico isso para eles” relata André.

Formação profissional

Os alunos também tem a oportunidade de ensinar aos novos colegas, como Alisson Gonçalves da Silva, de 18 anos, que está há três na companhia, “Quando eu comecei, eu vi a dança como uma expectativa de vida, uma profissão. Hoje em dia eu dou aula, e repasso aquilo que eu aprendo. É muito gratificante saber que estou ajudando a construir um projeto que também me ensinou” conta o bailarino.


Ele confessa que antes de conhecer a dança, achava que ballet era coisa de “viado”, “Eu também era assim, eu também fazia piadas, mas aprendi muito desde que entrei. Hoje em dia não sofro mais preconceito porque eu me imponho e uso meus argumentos para a pessoa vir conhecer, antes de falar” ressalta ele.

Apresentação


No dia 15 de dezembro, a companhia se apresenta no Teatro Dom Bosco com o espetáculo baseado em “A Bela Adormecida”, às 20h30. A entrada custa R$ 20,00, e o dinheiro arrecado irá ser direcionado para o projeto.

Serviço- Os alunos não pagam pelas aulas, nem pelas roupas usadas, tudo é patrocinado pela “Zoe escola de dança”, e pelas apresentações. 

Mais informações pelos telefones 3355-7730 ou 91807373. 

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