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Neta de japoneses busca do outro lado do mundo as técnicas para cerâmica que hoje vende em MS

Suzy Kanezaki disse que as primeiras encomendas a incentivaram a continuar

26 MAI 2019
Maressa Mendonça
15h15min
Suzy durante curso no Japão Foto: Arquivo Pessoal

Modelar a argila e deixar queimar até que se transforme em uma tigela ou em um conjunto de xícaras é um exercício que enche a artista plástica Suzy Kanezaki, de 26 anos, de orgulho. Neta de japoneses, ela foi até a província de Yamaguchi para aprender as técnicas utilizadas na fabricação de suas peças. 

Suzy conta que o interesse dela por cerâmica surgiu de forma meio “aleatória”, mas permaneceu por paixão, resultado do sentimento de satisfação ao terminar um trabalho e poder dizer: “eu quem fiz”. Ela confessou até um certo ciúmes das peças quando algumas pessoas queriam pegar para ver melhor. Mas isto foi no início, quando ela ainda estava no Japão e algumas cerâmicas ainda saíam imperfeitas. 

Esse início não é tão distante assim. Foi no ano passado, após ela ficar sabendo de um curso para estagiários com direito a bolsa de estudos na região oeste do Japão, mais precisamente em Yamaguchi. A informação chegou aos ouvidos de Suzy quando ela estava na Colônia Jamic, localizada em Terenos. 

Suzy arrumou as malas e foi conviver com uma família de artesãos, sempre com a supervisão de um professor.  “Aprendi tanto parte tradicional, do forno a lenha quanto em sala de aula com o professor”, detalha. Ao todo, foram sete meses de aprendizagem com aulas diárias neste período. “A partir disso eu vi o valor da cerâmica”, declarou. 

O valor das peças é resultado de um processo que dura em, média, uma semana. Em linhas gerais, Suzy explica que a argila é modelada, posta para secar de um dia para outro, colocada no forno em que a temperatura chega a 1200ºC  para a primeira queima, retirada, esmaltada, e queimada novamente. "Depois dessa segunda queima, aí, sim está 100% pronto", detalha. 

Durante este processo ocorre de a argila quebrar ou o esmalte trincar, especialmente quando o artista ainda está aprendendo. “É meio frustrante”. Mas uma decepção ou outra com uma peça não foi suficiente para fazer a neta de japoneses desistir. “Com o tempo, você vai ficando exigente com você mesmo e vai melhorando”. 

A melhora não passou desapercebida e não demorou até que Suzy recebesse alguns pedidos. “Eu não vivo disso, mas estou ficando mais motivada. Eu poderia ter voltado do Japão e desistido, mas, quando percebi o valor da cerâmica decidi continuar”, finaliza. 

Os trabalhos feitos por Suzy são postados no Instagram

Suzy durante curso no Japão
Suzy durante curso no Japão / Arquivo Pessoal
Suzy durante curso no Japão

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