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Ney Matogrosso mostra em documentário uma fatia dos seus 72 anos de vida

Personagem

29 novembro 2013 - 09h00Por Marithê Lopes

O FestCine Vídeo América do Sul que começou na quinta-feira (21) e segue até hoje, (29), em Campo Grande recebeu na noite de ontem (28), o documentário Olho Nú, do diretor Joel Pizzini. O festival reúne exibições de filmes nacionais e estrangeiros, além de debates sobre a produção sul-americana.  Segundo Ney, a narrativa sem linearidade é apenas uma fatia do seu pensamento durante os seus 72 anos. Ele ainda elogia o trabalho dizendo ser compatível com sua personalidade.

 

As marcas do Pantanal, a ascendência indígena e europeia, a relação com a natureza e a vida simples na cidade de Bela Vista, ainda no antigo Mato Grosso, na divisa com o Paraguai, estão intrínsecas na alma e nos olhos de Ney Matogrosso. A terra natal de um dos mais reconhecidos artistas brasileiros, assim como sua relação com o pai militar e com a mãe, são retratados no documentário Olho Nu , do diretor Joel Pizzini, que busca fazer um recorte poético e biográfico sobre Ney. “Não há uma ideia de compor uma antologia ou retratar todas as fases de sua carreira, é um recorte, um ponto de vista autoral. Não se trata de um filme sobre, mas com Ney Matogrosso”, afirma Joel.

 

"Apesar de não ter apego ao passado, foi interessante voltar à casa do meu avô. Eu percebi que Bela Vista mudou muito desde que eu fui embora, onde meu avô morava é uma parte isolada da cidade", relembra Ney.

 

O documentário reúne muitas imagens do acervo pessoal de Ney, que foi todo digitalizado. Joel contou com aproximadamente 300 horas de material de arquivo entre entrevistas, clipes e shows, nos formatos Super-8, 16 milímetros e VHS. “Consciente da importância de todos os registros de seu trabalho ele sempre pedia cópia das entrevistas que concedia a todas emissoras de TV. Em muitos casos as matrizes eram apagadas, mas o Ney tinha preservado com ele, inclusive algumas imagens dos Secos & Molhados, que hoje existem somente em seu arquivo pessoal.  O sonho dele um dia é colocar tudo isso no ar, disponibilizar para o público”, diz o diretor Joel Pizzini. Essas imagens foram integradas a gravações atuais na casa do artista, em seu contato de contemplação com a natureza, do retorno a Bela Vista e à casa da infância.

 

"Eu tenho poucos parentes aqui em Mato Grosso do Sul, minha ligação com o Estado se baseia na amizade que eu tenho com Alzira Espíndola, estou com ela sempre que posso, é uma das minhas maiores paixões, ela me inspira muito", declara Ney Matogrosso.

 

Segundo Joel a opção pela estrutura não linear vai ao encontro da própria história de Ney Matogrosso que ainda hoje, aos 72 anos, é extremamente ativo e que continua produzindo intensamente. Eles não queriam que o filme parecesse um “balanço da trajetória de alguém que está se aposentando de sua arte”, muito pelo contrário. “Em Olho Nu não há cronologia, relação causa-efeito, linearidade. Como diz o próprio Ney no filme: ‘o tempo é’ e o que importa é proporcionar uma experiência estética ao espectador, sem circunscrever a abordagem em um tempo-espaço engessado. Ney está em movimento o filme inteiro, revisitando ou transfigurando os signos de sua arte.”

 

O documentário procura zelar a pessoa por trás do personagem, um artista que, em plena ditadura, atacou frontalmente os clichês morais da sociedade fazendo da ambiguidade sexual e da libido partes fundamentais de sua arte. O público de Campo Grande lotou a sala do cinema para a exibição do documentário Ney Matogrosso ficou animado com a reação positiva dos espectadores presentes. 

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