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quarta, 25 de novembro de 2020
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No Dia da Saudade elas ensinam que lembrança não tem data e nem sempre faz sorrir

Thinking of you

30 janeiro 2014 - 06h00Por Renan Gonzaga

Existe dia para saudade? Existe. Hoje, trinta de janeiro. Alguém quis marcar, destacar no calendário, mas isso, para quem sente, pouca importa. Saudade, na verdade, não tem data e nem sempre faz sorrir. É mais uns daqueles sentimentos que não pedem licença. Chega de mansinho, se aloja no coração e faz um estrago, para o bem ou para o mal.

Saudade é a falta do namorado, namorada, do amigo que mora longe, dos pais, de alguém ou de algum lugar. É a recordação que tira um sorriso, mas que também derruba lágrimas.

Para a educadora física Clarice Pinheiro, de 34 anos, essas sete letras amontoadas formam mais uma palavra dura. Uma lembrança triste, que vem todos os dias, a toda hora, independente do dia estipulado.

Saudade, neste caso, é tristeza, apesar dos bons momentos que sempre vem à cabeça. Clarice perdeu o pai há três anos. Um infarto o levou. Na época, com 31 anos, ela já era órfã de mãe.

“Antes de falecer, ele ficou cinco anos doente, teve diabetes e foi perdendo a visão. No final ele estava dependente da gente”, relata. Hoje ela se lembra de todos os momentos bons que viveu ao lado do pai. Logo, ele representa a perda, a falta e amor que se misturando formam o conceito da palavra em sua cabeça.

 

A mulher sofreu, ainda sofre com tudo isso, mas se agarrava às lembranças para recordar e superar as perdas. É contraditório, mas esse sentimento chamado saudade, esse que gente acha que entende, leva qualquer um do riso ao choro em um só momento.


Dona Maria acredita que a maturidade faz o conceito de saudade mudar. (Foto: Renan Gonzaga)

A dona de casa Maria Neide Alves, de 63 anos, sabe bem o que isso. Entende o sofrimento de Clarice porque, assim como ela, se agarra às lembranças a mãe, que se foi há 4 anos, para conviver com a dor.


“Não tem mais aquela reunião na casa da mãe. Eram em todas as festividades como natal, aniversário, domingo. A família era grande e ficava todo mundo junto. Agora não, a gente se reúne, mas sempre fica faltando”, disse.

Maria acredita que a maturidade faz o conceito de saudade mudar, porque na juventude é comum sentir falta de um namorado ou de um amigo que foi morar longe, mas depois de adulto as prioridades mudam.

Pelo lado positivo, sem relação alguma com a morte, seu filho que mora em Florianópolis, por exemplo, é o motivo dos seus pensamentos mais distantes.

“A gente criou, curtiu a gravidez, viu crescer, almeja tudo de bom, e se fica doente a gente sofre junto”, explica a aposentada. E para matar a saudade a solução que ela encontrou foi ligar todo dia, para ouvir um pouco da sua voz e ficar mais calma.


É por isso que, apesar da marca no calendário, pouco importa a data. Saudade, de fato, não tem dia.

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