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No dia do aposentado, idosa afirma que sua vida não está acabando

Prêmio ou castigo?

24 JAN 2014
Renan Gonzaga
06h00min
Foto: Reprodução

Vinte e quatro de janeiro é o Dia Nacional dos Aposentados, uma data que serviria para homenagear todos os trabalhadores que, por anos, contribuíram para movimentar a economia do país. Enquanto alguns afirmam estar na melhor época de suas vidas, viajando sem preocupações, outros reclamam por fazerem parte de uma parcela esquecida da população.

Mas será que todo trabalhador sonha em desfrutar um dia de sua aposentadoria ou foge dessa realidade que assusta muitas pessoas? Questionando ou não, os números só tendem a crescer. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos últimos 20 anos, a expectativa média de vida do brasileiro aumentou em mais de nove anos. Passou de 64,7 anos em 1991, para 73,9 anos atualmente.

Recentemente a mídia divulgou um caso de conflito nesta fase da vida de uma personalidade famosa. A cantora Rita Lee, ainda no ano de 2012, teria divulgado o fim de sua carreira durante um show no Circo Voador, no Rio. Em seguida confirmou no Twitter: "Aposento-me de shows, da música nunca. Quem me viu ontem pode bem atestar minha fragilidade física. Saio da cena absolutamente paixonadacocês".


Rita Lee anunciou aposentadoria em 2012, mas atrás no ano passado. (Foto: Reprodução)


Já em 2013, a cantora que atualmente está com 66 anos, resolveu mudar de ideia e seus representantes voltaram a negociar shows para o primeiro semestre. Sendo assim, seus 40 anos de carreira não foram finalizados e ela voltou ao twitter para se expressar: A palavra aposentadoria tem muitas olheiras, troco por ''feriaday'': dar-se feriado diariamente".

BENEFÍCIOS E DIFICULDADES

Aos 73 anos, Nadir Farias Brandão se considera mais ativa que muitas pessoas de sua idade. “Eu trabalho na igreja e aprendi a pintar sozinha, só estou parada um pouco agora por causa da minha cirurgia”, relata a aposentada sobre sua rotina.


Nadir explica que é importante ter objetivos nesta fase, afinal, com o aumento da expectativa de vida o descanso na aposentadoria não pode ser sinônimo de estagnação. Antigamente o aposentado era visto como aquele velhinho no fim de carreira, mas nos dias de hoje ela mesmo investe em atividades que ajudam a manter a mente ativa, para não fazer parte deste grupo.


“Tem umas pessoas que levam uma vida lenta, sem motivação. Aliás, até sendo jovem e trabalhando não tem motivação. Mas eu desempenhava meu trabalho com muito alegria e depois que aposentei continuei assim.”


Hoje, na aposentadoria, ela colhe frutos da boa convivência que tinha com os colegas na época em que trabalhava na Prefeitura de Campo Grande. Tanto que foi convidada para voltar a labutar, mas não aceitou por sentir que não se adaptaria novamente com horários a cumprir e toda a rotina de servidor público.

Vida ativa promove a autoestima dos aposentados. (Foto: Reprodução)


Apesar dela acreditar que o aposentado de hoje tem mais apoio e benefícios que os de antigamente, por parte do governo principalmente, a realidade é que falta muito para a situação ser digna para quem passou a vida trabalhando. “O salário vai achantando, então eu fiquei um pouco prejudicada”, comenta Nadir sobre um dos problemas mais comuns nesta fase.


Mesmo com todas as dificuldades, foi-se o tempo em que o próprio aposentado era preconceituoso com sua condição, como aqueles típicos velhos ranzinzas dos filmes. O fato da aposentadoria chegar junto com a maturidade, mostra que não vale a pena se dedicar a situações desconfortáveis. “Estou solteira, mas eu tenho uma filha, só ela também. E gosto muito da minha vida”, finaliza Nadir.

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